O PCP e BE acusaram esta quinta-feira o CDS-PP de se «resignar perante a destruição do tecido económico e social» e de novas medidas de austeridade e sublinharam que estas serão «assinadas com a chancela» dos centristas.

«Afinal o que se passa com o CDS - Eu creio que hoje muitos idosos e pensionistas estão exatamente a perguntar o que se passa com o CDS, que passou de defensor dos pensionistas para apoiante do corte das pensões e do aumento da idade da reforma», afirmou a bloquista Mariana Aiveca, durante um debate no Parlamento agendado pelo PCP.

Dirigindo-se à bancada democrata-cristã, a deputada do BE perguntou «como é que o CDS se resigna perante a destruição do tecido económico e social» e advertiu que «vai ser um ministro do CDS [Pedro Mota Soares] a assinar o aumento da idade da reforma para os 67 anos e gerar mais desemprego».

«Acha o CDS que quem tem 65 anos e trabalhou uma vida inteira, e há toda uma geração que começou aos 16 anos e tem 50 anos de serviço, não tem direito de se reformar aos 65?», interrogou.

Aiveca salientou que o Governo «matou qualquer estratégia de crescimento com o documento de estratégia orçamental» e deixou uma advertência: «É com a vossa chancela que estas medidas vão ser assinadas».

Da bancada do PCP, o comunista João Oliveira afirmou que «os portugueses já perceberam qual é o sentido de patriotismo do CDS».

«Prejudicar o povo e saquear dinheiro público para satisfazer necessidades do capital», afirmou.

O parlamentar comunista defendeu que é preciso «distribuir a riqueza com justiça» e lutar contra «uma política de concentração do capital» e «a patranha do não há dinheiro».

«O ex-partido do contribuinte e dos reformados agora já não corta só salários e pensões, como repete a patranha de que não há dinheiro», criticou, referindo que várias dezenas de milhares de milhões de euros são gastas em juros da dívida, - swaps, no processo do BPN, em PPP e serviços de consultoria.

«Então não há dinheiro para salários e pensões?», perguntou.

Já o CDS acusou a oposição mais à esquerda de não ser razoável no debate e de apontar dados que «não constam do documento de estratégia orçamental».

«Há algo que é preciso debater com verdade, quem sempre defendeu aumento das pensões mínimas e rurais foi o CDS, está no nosso ADN», afirmou o centrista Hélder Amaral.

Do lado do PSD, o deputado Duarte Pacheco vincou que é o empréstimo externo que tem permitido «fazer face à pré-bancarrota com que o país estava confrontado» e garantir o «financiamento ao Estado e à economia portuguesa».
Redação / LF