O ministro das Finanças abriu o debate, esta quarta-feira, no Parlamento, com a defesa dos seis orçamentos apresentados por este Governo, que sente que cumpriu, que recuperou o país e que não quer que este volte "onde não foi feliz", ou seja, à austeridade.

Segundo João Leão, a proposta do Orçamento do Estado para 2022 é "boa e responsável", porque, na sua opinião, avança na mesma direção dos "seis Orçamentos de melhorias sucessivas para os portugueses e de um virar de página da austeridade".

"Chegámos aqui sem retirar, sem cortar, sem regredir em tudo o que foi garantido e conquistado desde 2016 (...) O país não quer, nem precisa de voltar onde não foi feliz (...) Não é tempo de arriscar tudo e deitar tudo a perder."

O ministro das Finanças enumerou as medidas previstas na proposta do OE 2022, defendendo que esta dá prioridade a setores como a Saúde e a Educação.

“Este é um orçamento que dá prioridade à recuperação dos efeitos sociais da pandemia, nomeadamente na Saúde e Educação."

João Leão sublinhou que, para o Governo, é "determinante assegurar a rápida recuperação da economia portuguesa", com um crescimento económico de 5,5% (a previsão que consta do OE), "o maior das últimas décadas".

O ministro lembrou que há seis anos "vivíamos num país diferente", e recordou os dados do desemprego, os cortes nos salários e pensões e os jovens, "convidados a emigrar". "O Governo propôs ser uma alternativa e cumpriu", constatou.

As medidas que "podem ficar em causa" se o Orçamento for chumbado

Mais tarde, em resposta à bancada do PS, João Leão dramatizou o discurso e alertou que "há medidas que podem ficar em causa se o Orçamento do Estado para 2022 não for aprovado".

O ministro exemplificou que a reforma dos escalões do IRS e todas as medidas que vão "ajudar as famílias e os jovens ficariam em causa".

"Estamos numa fase crítica do país, é muito importante ter um orçamento aprovado para ajudar a reforçar o crescimento económico."

João Leão acrescentou ainda que será "fundamental" aprovar o OE até para a execução do Plano de Recuperação e Resiliência, para "dar condições melhores ao Governo para o executar".

O "mito" da estagnação económica

Confrontado com números e gráficos apresentados pelo deputado social-democrata Jorge Paulo Oliveira, que acusou o Governo de ter piorado o país em várias frentes nos últimos seis anos, João Leão assegurou que a estagnação económica é “um mito da direita”, já que, durante os governos socialistas, Portugal cresceu “em média sempre acima da Europa”.

“A estagnação económica é um mito da direita. A direita ficou parada no tempo em que governou e em que de facto havia estagnação económica."

O ministro das Finanças acrescentou ainda que “Portugal cresceu, de 2015 a 2019, 11,3%”, enquanto a “Europa cresceu, a média da zona euro, 7,8% naquele período”. "Se quiser disponibilizo-lhe os dados", atirou, para o deputado do PSD.