O secretário de Estado dos Assuntos Parlamentares advertiu esta terça-feira que seria incompreensível na atual situação do país uma ausência de entendimento à esquerda no Orçamento e frisou que o Governo vai fazer "um enorme esforço" de consenso.

Duarte Cordeiro falava na "jornada de trabalho" do Grupo Parlamentar do PS, no Centro Cultural de Belém, em Lisboa, numa intervenção em que abordou a questão do processo negocial à esquerda para a eventual aprovação do Orçamento do Estado para 2021 - documento que o Governo pretende entregar na Assembleia da República no dia 12 de outubro.

Neste ponto, o membro do executivo salientou que o próximo Orçamento do Estado terá um papel determinante na resposta "à crise social, mas também na aplicação dos instrumentos disponíveis para controlar a pandemia [da covid-19] e recuperar o país".

Este Orçamento exige da esquerda um compromisso político que permita encontrar pontos de convergência num momento particularmente difícil para o nosso país. Os portugueses esperam que a esquerda tenha essa capacidade de entendimento e isso exige que cada partido se aproxime, procure convergências, seja exigente, mas mostre essa disponibilidade que o país precisa", sustentou Duarte Cordeiro, também líder da Federação da Área Urbana de Lisboa (FAUL) do PS.

Perante os deputados socialistas, Duarte Cordeiro o membro do Governo advogou que, "se antes esses entendimentos à esquerda foram precisos, agora são mais precisos do que nunca".

Do nosso lado, estamos disponíveis para dar passos no sentido dessa aproximação, dessa convergência em matérias tão relevantes como a preservação do emprego, a preservação dos rendimentos, combate à precariedade, valorização dos serviços públicos, investimento no Serviço Nacional de Saúde (seja em equipamentos, seja em recursos humanos), ou no aumento ou na criação de prestações sociais para responder a quem não tem apoios, tal como foi feito no período do estado de emergência", especificou.

O secretário de Estado dos Assuntos Parlamentares falou ainda em medidas para melhorar o abono de família, o reforço das creches e de mais investimentos nos transportes públicos, em particular na ferrovia.

Do lado do Governo existe essa disponibilidade e vontade em muitos domínios. Acima de tudo existe a consciência que vivemos um momento muito difícil em que devemos procurar estas convergências, evitando desentendimentos que seriam pouco compreendidos por parte dos portugueses", avisou.

Neste contexto, Duarte Cordeiro citou o primeiro-ministro, António Costa: "Não podemos somar uma crise política a uma crise económica e social e, por isso, da parte do Governo, vai haver um enorme esforço de convergência com os partidos com os quais até hoje foram conseguidos entendimentos para governar".

/ AG