Os sociais-democratas prometeram hoje participar no debate do Orçamento do Estado para 2019 com "uma posição diferente do PSD dos outros anos", apresentando "medidas concretas" alternativas, incluindo sobre a função pública.

Esta posição foi transmitida aos jornalistas no parlamento pelo secretário-geral do PSD, José Silvano, que, em reação à entrevista do primeiro-ministro à TVI, considerou que 50 milhões de euros para a função pública "pode ser uma mão cheia de nada" - apesar de esse número nunca ter sido referido por António Costa.

Sobre os funcionários públicos, só generalidades. Falou num número de 50 milhões de euros, o que nos leva a pensar ainda que pode ser uma mão cheia de nada. Cinquenta milhões de euros sem dizer como nem porquê nem onde, é uma verba perfeitamente insignificante", reagiu o social-democrata.

Este número foi mencionado numa notícia avançada na segunda-feira pelo Observador e hoje também pelo Público. Na entrevista de segunda-feira à noite à TVI, António Costa não referiu qualquer valor para aumentos na função pública.

Questionado sobre a posição do PSD quanto a aumentos na função pública, José Silvano remeteu-a para depois da apresentação da proposta do Governo de Orçamento do Estado para 2019, no dia 15 de outubro, acrescentando: "Vamos ver o que diz a proposta, vamos ver qual é o número que lá está e depois teremos uma proposta concreta nesse domínio".

Depois de conhecermos a proposta, no dia 15, aí sim - e é uma posição diferente do PSD dos outros anos anteriores - é que iremos apresentar medidas concretas. Eu repito: medidas concretas sobre todos os temas do Orçamento, depois de conhecido, em que estivermos em discordância", prometeu.

 

Apresentaremos medidas concretas, sólidas, capazes de resolverem alguns problemas das famílias, das empresas, nunca pondo em causa sequer a sustentabilidade económica das finanças públicas e a redução do endividamento", completou.

Em relação à função pública, interrogado se considera 50 milhões de euros um valor insuficiente, José Silvano respondeu: "Quando falo no número de 50 milhões, é para enfocar aqui a generalidade da entrevista do primeiro-ministro que não teve medidas concretas eficazes".

Cinquenta milhões de euros para a função pública sem dizer onde, como, porquê, em que funções, em que setor dos funcionários, o número leva-nos a dizer que é mais uma generalidade e não é rigorosamente mais nada", reiterou.

Segundo o deputado e dirigente social-democrata, a entrevista do primeiro-ministro "não trouxe nada de novo" e foi "uma oportunidade perdida" para que António Costa "explicasse de forma clara e objetiva as propostas do Orçamento do Estado", como esperava o PSD.

"Apenas apresentou, isso sim, é justo dizê-lo, uma proposta concreta, que é a disponibilidade para continuar com esta coligação de esquerda, com o PCP, o Bloco e Os Verdes, isso sim, ficou claro e objetivo", alegou, referindo-se à atual solução de Governo minoritário do PS com apoio parlamentar à esquerda.

No seu entender, contudo, "nem isso foi novidade", porque António Costa "tem dito sistematicamente que a preferência dele é manter esta coligação agora e no futuro".

"Não foi novidade, nem para nós é novidade. Isso só tem sido novidade para quem quer especular sobre quem se coliga o PSD", observou.