O ministro da Defesa Nacional disse hoje estar a acompanhar com grande preocupação a crise no Mali, onde estão destacados 63 militares da Força Aérea Portuguesa, na sequência da detenção do Presidente e do primeiro-ministro do país.

"O ministro da Defesa Nacional está a acompanhar a situação no Mali com grande preocupação, mais ainda numa altura em que Portugal tem no território uma Força Nacional Destacada de 63 militares e um avião de transporte C-295", segundo informação prestada à agência Lusa pelo gabinete de João Gomes Cravinho.

O ministro acentua "a ilegitimidade da imposição" da força para resolver o conflito e “considera fundamental respeitar a ordem constitucional do país”, adianta a mesma informação.

“Qualquer mudança que venha a ocorrer no Mali não pode ser imposta pela força das armas", salienta a fonte do gabinete de João Gomes Cravinho.

Portugal tem desde 01 de julho uma Força Nacional Destacada no Mali, no âmbito da Minusma (Missão Multidimensional Integrada para Estabilização das Nações Unidas do Mali), que inclui 63 militares da Força Aérea Portuguesa e um avião de transporte C-295.

O objetivo do destacamento português é assegurar missões de transporte de passageiros e carga, transporte tático em pistas não preparadas, evacuações médicas, largada de paraquedistas e vigilância aérea, e garantir a segurança do campo norueguês de Bifrost, em Bamako, onde estão alojados os militares portugueses.

O Presidente do Mali, Ibrahim Boubacar Keita, e o seu primeiro-ministro, Boubou Cissé, foram detidos por militares hoje ao final da tarde durante uma revolta, afirmou um dos líderes do motim citado pela agência France-Presse.

Os amotinados assumiram o controlo do campo militar e das ruas adjacentes, dirigindo-se então para o centro da capital, segundo um correspondente da AFP.

Em Bamako, foram recebidos com aplausos pelos manifestantes que exigem a demissão de Ibrahim Boubacar Keita (IBK).

Um dos catalisadores da atual crise política no Mali foi a invalidação, no final de abril, de 30 resultados das eleições legislativas pelo Tribunal Constitucional, incluindo cerca de uma dezena em favor da maioria parlamentar.

A decisão, aliada a fatores como o clima de instabilidade e insegurança sentido nos últimos anos no centro e norte do país, a estagnação económica e a prolongada corrupção instigaram várias manifestações contra IBK.

O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres, fez saber, através do seu porta-voz, que está a acompanhar com "profunda preocupação" a situação no Mali, condenando o motim militar que levou à detenção do presidente, foi hoje anunciado.

Guterres "condena veementemente" estas ações, apelando para a "restauração imediata da ordem constitucional" e do "Estado de direito no Mali".

O secretário-geral da ONU defende também a "libertação imediata" de Ibrahim Boubacar Keita e dos membros do seu Governo.

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