O PCP alertou esta quarta-feira o Presidente da República que “o confinamento é a exceção, mas não pode ser a solução” para a responder à crise aberta pela pandemia de covid-19 e insistiu no reforço dos serviços de saúde.

O secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, reuniu-se hoje com Marcelo Rebelo de Sousa, por vídeo-conferência, sobre a renovação do estado de emergência e, em declarações aos jornalistas, no parlamento, anunciou que o partido voltará a votar na quinta-feira contra a renovação do estado de emergência.

Jerónimo de Sousa disse ter alertado o Chefe do Estado que há apoios económicos que podem chegar “tarde demais”.

O líder comunista afirmou ter feito o alerta ao Presidente para "a situação económica e social, particularmente de micro, pequenas e médias empresas (MPME)", a quem tarda em chegar os apoios, e advertiu que "pode ser tarde de mais para milhares e milhares de micro, pequenos e empresários que não sabem o que fazer à sua vida".

O secretário-geral do PCP defendeu que, face ao “agravamento económico e social”, com “problemas acrescidos” na área da saúde pública”, deve haver “um alargamento exponencial do rastreio e testagem” à covid-19, devido à situação epidemiológica no país, que saiu de um mês de janeiro em que registou um número recorde de mortos, tanto da infeção como de outras causas, e com os hospitais sob enorme pressão.

Jerónimo também advogou a reabertura, logo que possível, das escolas, das atividades culturais e desportivas, além de insistir no reforço do investimento no Serviço Nacional de Saúde (SNS) e na “valorização dos seus profissionais”, que têm feito “um esforço titânico”.

E também disse estar preocupado com o processo de vacinação, que “parecia que ia todo direitinho”, mas, afinal, “hoje há um problema”, que é saber “se [as vacinas] chegam para toda a população, como e quando”.

Na terça-feira, o primeiro-ministro considerou que o atual confinamento está a produzir resultados contra a covid-19, mas é necessário prolongá-lo face aos elevados níveis da pandemia e continuar a investir na testagem massiva e na capacidade de rastreamento.

Esta posição foi transmitida por António Costa na sua conta pessoal na rede social Twitter, depois de mais uma reunião no Infarmed, em Lisboa, sobre a evolução da situação epidemiológica em Portugal.

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, termina hoje mais uma ronda de audiências com os partidos políticos antes de enviar ao parlamento o projeto de decreto que renova o estado de emergência até 01 de março e que será votado na quinta-feira na Assembleia da República, em Lisboa.

A pandemia de covid-19 provocou, pelo menos, 2.341.496 mortos no mundo, resultantes de mais de 106,8 milhões de casos de infeção, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

Em Portugal, morreram 14.557 pessoas dos 770.502 casos de infeção confirmados, de acordo com o boletim mais recente da Direção-Geral da Saúde.

/ JGR