Há eurodeputados a pagarem rendas a si próprios, dinheiros públicos que saem do bolso do Parlamento Europeu e que não são monitorizados.

Além do ordenado, os parlamentares recebem uma quantia fixa de 4.343 euros para despesas gerais, como escritórios, comunicações ou material nos países de origem.

Mas em 30% dos casos, os deputados não têm escritórios locais. E muitos recusaram dar qualquer informação sobre a forma como gerem este subsídio, inclusive se devolvem o dinheiro que não é gasto.

Os dados sobre as despesas dos 751 parlamentares vão ser divulgados nos próximos dias pelo consórcio europeu de jornalistas (MEPs Project) que investiga os gastos do Parlamento Europeu.

A TVI, que antecipa agora parte da investigação, vai divulgar brevemente um trabalho focado nos 21 eurodeputados portugueses.

Anualmente, o Parlamento Europeu dá 40 milhões de euros aos seus deputados para financiarem os gabinetes locais nos países de eleição.

No entanto, estas despesas não são monitorizadas, sendo apenas controladas aleatoriamente. Por isso, nem o Parlamento Europeu nem os eleitores sabem como esse dinheiro público é usado.

Há 42 casos em que o deputado paga renda ao seu próprio partido político ou a si mesmo. Só na Alemanha, por exemplo, oito deputados são os proprietários dos edifícios onde estão os gabinetes locais

Os jornalistas do MEPs Project (que fazem a cobertura dos Estados-membros) quiseram saber como e onde é gasto esse dinheiro. Mas o Parlamento Europeu não disponibilizou as informações e o caso está desde 2016 no Tribunal Europeu de Justiça (ECJ).

A investigação prosseguiu e, durante meses, os 48 jornalistas europeus dos 28 Estados-membros) tentaram localizar os escritórios nacionais dos eurodeputados. Para tal, contactaram direta e indiretamente, por telefone ou e-mail, a totalidade dos parlamentares e as primeiras revelações surgem agora.