Pelo segundo ano consecutivo, a sessão solene do 25 de Abril voltou a ter restrições devido à pandemia e, se os cravos vermelhos continuam a destacar-se na Sala das Sessões, foram as máscaras a novidade em relação a 2020.

Talvez por ser obrigatória essa medida de proteção contra a covid-19 - no ano passado foi considerado desnecessário o seu uso na sessão solene -, deputados e convidados conversaram este ano de forma mais próxima e mais descontraída do que em 2020, em que a distância social era bastante mais visível.

Em relação a 2020, os convidados nas galerias são cerca do dobro: de menos de 20 passaram para cerca de 40, entre o antigo Presidente da República Ramalho Eanes - o único ex-chefe de Estado presente -, e que se sentou na tribuna presidencial ao lado da sua mulher, do presidente da Conferência Episcopal Portuguesa, José Ornelas, e onde esteve igualmente a mulher do primeiro-ministro.

Na tribuna oposta sentou-se o Núncio Apostólico, enquanto os restantes convidados se foram distribuindo pelas várias galerias: Procuradora-geral da República, Lucília Gago, presidente do Conselho Económico e Social, Francisco Assis, ou o presidente da Câmara de Lisboa, Fernando Medina, que conversaram brevemente antes do arranque da cerimónia.

Noutra galeria, também os conselheiros de Estado Francisco Louçã e Domingos Abrantes conversavam animadamente, enquanto a conselheira Leonor Beleza esteva umas filas mais à frente, de cravo na lapela, não muito longe do coronel Vasco Lourenço, presidente da Associação 25 de Abril

Também de cravo vermelho - sempre mais raro nas figuras de direita - estava o presidente do Governo Regional dos Açores, José Manuel Bolieiro, a mesma flor envergada a poucos metros pelo presidente do PS Carlos César.

O diretor nacional da PSP, Magina da Silva, e a secretária-geral da CGTP, Isabel Camarinha, foram outras das presenças.

Entre as bancadas, o cravo foi, como sempre, frequente à esquerda, com a deputada Ana Paula Vitorino a fazer combinar o vermelho da flor com a da máscara contra a covid, e uma raridade à direita, destacando-se pela exceção o social-democrata Maló de Abreu.

A deputada não inscrita Cristina Rodrigues, tal como tinha anunciado, envergou uma t-shirt preta onde se lia a palavra “Censura” em protesto por não poder discursar na sessão solene.

O antigo Presidente da República António Ramalho Eanes chegou ao parlamento às 9:37, acompanhado pela mulher, Manuela Eanes, e sem cravo.

Cinco minutos depois, chegou o presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Fernando Medina, também sem cravo e de gravata vermelha.

À medida que foram chegando, os convidados foram recebidos pelo secretário-geral do parlamento na escadaria exterior e depois encaminhados para a Sala das Sessões.

À hora prevista, 10 minutos antes das 10:00, o primeiro-ministro entrou na Assembleia da República. António Costa chegou no carro elétrico em que costuma deslocar-se, acompanhado pela mulher, Fernanda Tadeu.

De máscara branca, gravata vermelha e sem cravo, foi recebido pela vice-presidente da Assembleia da República Edite Estrela na base da escadaria exterior, que encaminhou o casal até à Sala de Visitas da Presidência, onde aguardava o Presidente da Assembleia da República.

O Presidente da República chegou à Assembleia da República com um ligeiro atraso face ao previsto no cerimonial, às 9:58, de máscara verde na face e o habitual tom de azul na gravata.

Depois de ter sido recebido pelo Presidente da Assembleia da República na base da escadaria exterior, os dois seguiram para o interior do parlamento e juntaram-se ao primeiro-ministro da Sala de Visitas da Presidência, onde conversaram durante uns momentos. Nos cumprimentos, não houve lugar a abraços ou apertos de mão, como se tornou hábito em tempo de pandemia.

Tanto o primeiro-ministro como o Presidente da República receberam um cravo na sala de visitas, tendo António Costa colocado o seu na lapela e Marcelo Rebelo de Sousa levado a flor na mão para a cerimónia do plenário, como tem sido seu hábito.

O Presidente da República entrou na Sala das Sessões às 10:05, acompanhado pelo Presidente da Assembleia da República à sua direita e o primeiro-ministro à sua esquerda, ouvindo-se de seguida o Hino Nacional tocado pela banda da GNR a partir dos Passos Perdidos, cinco minutos depois do previsto no programa da cerimónia e depois de em 2020 apenas ter sido reproduzida uma gravação.

/ NM