PSD e CDS-PP apelaram a um compromisso alargado para o crescimento, mas a oposição manifestou dúvidas sobre o plano do Governo, tendo o PS perguntado se o ministro das Finanças o vai autorizar.

«Desta vez é mesmo para valer? Desta vez vão mudar de política? Desta vez o ministro das Finanças não vai vetar a implementação destas medidas? Ou vai ser apenas e só mais um anúncio, mais um número político para ser repetido daqui a seis meses, e continuaremos com esta espiral recessiva e sem mudar de política?», perguntou o deputado do PS Rui Paulo Figueiredo, dirigindo-se ao deputado do PSD Paulo Batista Santos, que não respondeu diretamente a estas interrogações.

Numa declaração política em plenário, Paulo Batista Santos tinha elogiado o plano para o crescimento e emprego aprovado esta terça-feira em reunião extraordinária do Conselho de Ministros, considerando que este coloca Portugal «ao lado da vanguarda europeia em matéria de política de relançamento industrial», deixando um pedido à oposição para que participe na sua concretização.

«Seria de todo incompreensível que as oposições, em particular o PS, não valorizassem este caminho de diálogo e de promoção da economia nacional. Fica aqui este desafio de forma muito veemente para que possamos ter aqui no parlamento o vosso contributo», afirmou o social-democrata.

Em seguida, os partidos da oposição acusaram a coligação PSD/CDS-PP de ter passado os primeiros dois anos desta legislatura descurando o crescimento e o emprego, alegando que o plano aprovado esta semana é composto por medidas já anteriormente anunciadas, mas não aplicadas, e questionaram a sua viabilidade e consistência.

A oposição argumentou que os cortes em preparação na despesa, a falta de dinamização do mercado interno e de promoção do poder de compra são obstáculos ao crescimento. O deputado do PCP Bruno Dias falou em «propaganda fraudulenta e enganadora», o deputado do PEV José Luís Ferreira em «medidas avulsas e genéricas» e Cecília Honório, do BE, em «plano requentado».

O PS, através de Rui Paulo Figueiredo, apontou como única novidade a disponibilidade do PSD para colocar as políticas de crescimento e emprego na agenda, sustentando que o CDS-PP tem tido um discurso distinto, dando atenção a este tema.

Rui Paulo Figueiredo congratulou-se por essa alegada mudança de posição do PSD e pelo comportamento do executivo em relação ao seu partido: «Ainda bem que reconhecem que o PS tinha propostas que até ocupam o Conselho de Ministros».

Paulo Batista Santos retorquiu: «É verdade, nós acompanhámos, tomámos a devida nota das boas iniciativas que o PS trouxe a este parlamento, que o seu secretário-geral apresentou ao país, e que merecem da parte desta maioria e do Governo um reconhecimento».

O deputado do PSD contestou que o crescimento e o emprego tenham sido ignorados nos últimos dois anos, mas disse que esse período foi dedicado sobretudo a «consolidar as contas públicas e recuperar a credibilidade externa», em resultado da «fatura pesadíssima» deixada pelos governos socialistas.

«Organizámos a casa, estamos hoje prontos para lançar um novo rumo para este país. Contamos convosco para nos ajudarem a fazer este desafio», insistiu.

Por sua vez, o deputado do CDS-PP Hélder Amaral felicitou o PSD pelo tema da sua declaração política e pediu à oposição que olhe para o plano aprovado pelo Governo como «um ponto de partida, que precisa de tempo, de estabilidade, de compromisso, de consenso, de contributos».

«Gostava que dissessem que estão disponíveis para o compromisso», reforçou.
Redação / CP