PS, BE e Livre votaram, esta sexta-feira, contra a solidariedade do Parlamento para com o futebolista internacional português Bernardo Silva, condenado recentemente por um ato racista por parte da Federação Inglesa de Futebol (FA).

Socialistas, bloquistas e a deputada do Livre, Joacine Moreira, chumbaram o ponto n.º 2 do voto de repúdio e condenação apresentado pelo CDS-PP "contra o racismo no desporto e de solidariedade para com o atleta da seleção nacional Bernardo Silva" (Manchester City), enquanto o PAN se absteve.

O ponto n.º 1 do documento, que repudiava qualquer prática de racismo, foi aprovado por unanimidade.

Importa separar o que é racismo de uma mera brincadeira entre amigos que se estimam e respeitam. Algo que não aconteceu com o atleta Bernardo Silva, um dos melhores jogadores portugueses da atualidade, de ética desportiva irrepreensível, de `fair-play´ (desportivismo) reconhecido e elogiado por todos os treinadores e jogadores, que foi vítima destas confusões quando, por brincar com um grande amigo numa rede social, foi condenado pela federação inglesa a 1 jogo de suspensão, multa de 58 mil Euro e a frequentar um programa de educação presencial, por atos racistas", lia-se no documento.

 O CDS-PP queria que o Parlamento português se solidarizasse com o avançado Bernardo Silva contra a sanção “injusta” por racismo da federação inglesa de futebol que “o condenou, injustamente, por um ato que nunca cometeu nem cometeria”.

Em 13 de novembro, o avançado português Bernardo Silva foi suspenso por um jogo, após ter sido considerado culpado de conduta imprópria e ofensiva relativamente ao francês Benjamin Mendy, colega de equipa no Manchester City, segundo a Federação inglesa de futebol (FA).

Bernardo Silva foi ainda multado em 50.000 libras (cerca de 42.800 euros) e ficou obrigado a frequentar um programa educacional.

Em causa está um tweet publicado pelo internacional português com a imagem em criança de Mendy, do qual é amigo desde os tempos em que ambos jogavam no Mónaco, acompanhado da ilustração do boneco característico da marca de chocolates Conguitos, com a pergunta: “Adivinhem quem é?”.

Para a FA, o comentário de Bernardo Silva constituiu uma violação agravada do código de conduta “por ter incluído referência, implícita ou explícita, à raça e/ou cor de pele e/ou origem étnica”.

A publicação levou a Associação de Combate ao Racismo ‘Kick Out’ a pedir para que a FA tomasse medidas contra Bernardo Silva, que apagou quase de imediato o ‘tweet’, lamentando que não seja possível “brincar com um amigo”.