O deputado socialista Ascenso Simões sugeriu esta quarta-feira que a moção de censura do CDS-PP ao Governo foi motivada pelo "fantasma" da privatização do Pavilhão Atlântico no anterior Governo, processo em que Assunção Cristas teve responsabilidades como ministra.

Esta foi a primeira intervenção do PS no debate desta moção de censura, na Assembleia da República, e na resposta a presidente do CDS-PP, Assunção Cristas, lamentou "o deputado escolhido e o tom escolhido", acrescentando: "Sobre o passado, deste lado não recebemos nenhuma lição de quem pertenceu ao Governo de José Sócrates".

Ascenso Simões fez alusão a uma reportagem da TVI transmitida na semana passada segundo a qual "há suspeitas de favorecimento" do empresário Luís Montez, genro do anterior Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, na venda do Pavilhão Atlântico pelo anterior Governo PSD/CDS-PP e "o caso está a ser investigado na justiça".

Eu sei que em política por vezes é necessário criar novos factos políticos para resolver alguns velhos fantasmas", afirmou o deputado do PS, referindo que foi ver as notícias e encontrou "um fantasma" chamado Pavilhão Atlântico. "Quando nós temos um fantasma, é claro que nós temos de encontrar um outro facto político", sustentou.

Ascenso Simões acusou depois a presidente do CDS-PP de estar a fazer "chicana política" e a utilizar o parlamento para "discutir a liderança da direita com o PSD" e argumentou que os resultados da atual governação não dão razões para uma moção de censura.

O socialista recorreu novamente ao passado, declarando que o deputado centrista Pedro Mota Soares quando foi ministro queria "mandar embora" mais de 800 funcionários da Segurança Social, e citou o ex-presidente do CDS-PP, Paulo Portas, contra a apresentação de moções de censura sem a apresentação de "uma alternativa".

Assunção Cristas não respondeu diretamente às críticas, lamentando "a forma como o PS se apresenta neste debate".

Acho que erram, acho que o PS errou na escolha da pessoa", reforçou.

A presidente do CDS-PP insistiu nas críticas ao estado da Serviço Nacional de Saúde (SNS), alegando que, "por exemplo, neste momento, no Algarve, os cirurgiões que têm mãos maiores não conseguem fazer cirurgias porque faltam luvas para o seu tamanho".