O histórico dirigente do PCP e antigo jornalista Rúben de Carvalho morreu na madrugada desta terça-feira, confirmou fonte do Partido Comunista à TVI

Ruben de Carvalho era membro do Comité Central do PCP, responsável na Câmara Municipal de Lisboa pelo Roteiro do Antifascismo e fazia parte da organização da Festa do Avante! desde o seu início, em 1976.

Numa nota enviada às redações, o Secretariado do Comité Central do PCP lamentou a morte de Ruben de Carvalho e informou que o histórico dirigente morreu "em consequência de problemas de saúde que exigiram internamento hospitalar".

Jornalista de profissão, Ruben de Carvalho foi também chefe de redação do semanário “Avante!”, órgão central do PCP, entre abril de 1974 e 1995, chefe de redação da revista “Vida Mundial” e redator coordenador do jornal “O Século”.

Na nota enviada às redações, o Secretariado do Comité Central do PCP recorda de Ruben de Carvalho "assumiu uma intervenção destacada na atividade do Partido, tendo desempenhado importantes tarefas, cargos e responsabilidades".

"Ruben de Carvalho teve uma vida de intervenção e de luta na resistência antifascista, no movimento associativo estudantil, abraçou com intensidade a Revolução de Abril e defendeu os seus valores e conquistas", recorda o Comité Central, sublinhando que o dirigente comunista "deixou à sociedade portuguesa um contributo de grande relevo no conhecimento da música, na sua dimensão artística, cultural e social, no plano nacional e internacional, das suas raízes populares à sua dimensão erudita".

Ruben de Carvalho manteve, na RDP1, o programa “Radicais Livres”, onde debatia temas de atualidade com Jaime Nogueira Pinto.

O histórico comunista foi membro das “comissões juvenis de apoio” à candidatura do General Humberto Delgado, chefe de gabinete do Ministro Sem Pasta, Francisco Pereira de Moura, no I Governo Provisório após o 25 de Abril de 1974, deputado à Assembleia da República eleito pelo distrito de Setúbal e vereador nas câmaras municipais de Lisboa e Setúbal.

Ruben de Carvalho aderiu ao Partido Comunista Português em 1970. Foi funcionário do partido entre 1974 e 1997 e era membro do Comité Central desde 1979.

Tinha 74 anos e era o único membro no atual Comité Central do PCP que tinha estado preso nas cadeias da PIDE durante o Estado Novo.

Primeiro-ministro salienta perda de um amigo e de um homem de cultura

O primeiro-ministro considerou que a morte do antigo dirigente comunista Ruben de Carvalho representa a perda de um um amigo e de homem de cultural e transmitiu os seus sentimentos ao secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa.

Ruben de Carvalho adorava a vida e se teve tempo de uma última despedida, deve ter dito para si 'foi bonita a Festa, pá!'. Já transmiti os meus sentimentos à sua família e ao secretário-geral do PCP", escreveu António Costa numa nota na rede social Twitter.

O primeiro-ministro caracterizou depois Ruben de Carvalho como um "homem de cultura e inteligência política invulgares, sentido de humor e extraordinária exigência de caráter".

Seduzia adversários, com a capacidade de construir e honrar os compromissos que Lisboa exigia. Ruben de Carvalho era, antes do mais, um amigo, numa amizade que construímos nos seis anos de intenso convívio na Câmara Municipal de Lisboa", refere o líder do executivo.

António Costa deixa ainda uma nota de lamento: "As vicissitudes da política nunca nos permitiram trabalhar tão estreitamente quanto eu teria - teríamos - gostado e seguramente a cidade muito teria beneficiado", acrescenta.

Marcelo elogia contributo para "espírito cívico e democrático aberto" em Portugal 

O Presidente da República elogiou o contributo do dirigente do PCP Ruben de Carvalho para "um espírito cívico e democrático aberto" em Portugal e lamentou a perda deste "bom amigo" e "homem de cultura".

Conheci-o muito bem, era um bom amigo. Ele, aliás, só tinha amigos por toda a parte. Ele foi o exemplo de quem soube cultivar a amizade para além das fronteiras ideológicas", declarou Marcelo Rebelo de Sousa aos jornalistas, na cidade cabo-verdiana do Mindelo, na ilha de São Vicente, onde hoje terminam as comemorações do Dia de Portugal.

O chefe de Estado, que já tinha divulgado uma nota sobre a morte de Ruben de Carvalho, descreveu-o como "um homem de cultura" e " um grande criador", referindo que a "Festa do Avante!" foi "uma criação dele", recordando as suas "várias idas" a esse "grande acontecimento cultural".

E foi muito importante no cultivar de um espírito cívico e democrático aberto no nosso país. Apresento as minhas condolências à sua família, a começar na sua mulher e minha colega na Faculdade de Direito de Lisboa, e ao PCP", considerou.

/ MM