A candidata a porta-voz do PAN, Inês Sousa Real, defendeu este sábado que o país vive "um momento decisivo", que exige uma "mudança de paradigma", e indicou querer colocar o partido como "alternativa aos modelos de governança".

Na apresentação da única moção global de estratégia ao VIII Congresso do partido, a candidata a líder do Pessoas-Animais-Natureza (PAN) defendeu que se vive "um momento decisivo que exige uma visão global de futuro e para a qual o PAN está mais do que convocado".

A sua visão "aposta numa mudança de paradigma" a que "os partidos tradicionais continuam a não dar resposta", indicou, considerando "absolutamente urgente travar o declínio" da biodiversidade e "promover a regeneração dos ecossistemas", além da preservação dos "habitats que ainda persistem", os oceanos e as espécies.

É urgente pôr as causas primeiro", frisou, considerando também que "Portugal carece de um plano e de uma visão macro que acautele e dê resposta às fragilidades das várias dimensões da sociedade, desde o combate à pobreza, às assimetrias sociais e regionais, sem esquecer a educação, a habitação, a saúde, mobilidade, política fiscal, o acesso à internet e à justiça".

E frisou que esta moção, que define a estratégia do partido para os próximos dois anos, "visa ser, e vai ser de certeza, uma alternativa aos modelos de governança até aqui prosseguidos".

Porque acreditamos que só pela positiva conseguiremos trazer para a esfera política estas preocupações, assim como um novo modelo de desenvolvimento, mais próximo das necessidades das populações e da justiça, seja ela social, climática ou interespécies", prosseguiu a dirigente, que encabeça a lista à Comissão Política Nacional (órgão máximo de direção política entre congressos), defendendo também "transição para um modelo económico mais justo".

E criticou que os "sucessivos governos, não apenas o Governo do PS, mas o Governo do Bloco Central, do PSD, o Governo do conservadorismo e de uma visão obsoleta da sociedade" têm falhado nas respostas necessárias par garantir uma maior qualidade de vida das populações, da proteção do meio ambiente e dos animais”.

Apontando que o Estado tem “falhado redondamente” na defesa dos animais”, a dirigente realçou que a moção da qual é primeira subscritora visa a inscrição na Constituição os direitos dos animais e defendeu que as touradas devem ser abolidas pois “não já não deveriam ter lugar em pleno século XXI”.

A nível interno, “esta moção pretende, acima de tudo naquilo que é a vida interna do partido e tendo presente a elevada responsabilidade que cabe ao PAN no panorama político português, garantir não só o reforço da união, da participação, do diálogo, do debate e estarmos focados e, em conjunto trabalharmos para este grande objetivo que é mudarmos a nossa sociedade, transformando-a numa sociedade mais empática, de maior justiça e de mais valor”, afirmou.

Naquela que foi a sua primeira intervenção no VIII Congresso do Pessoas-Animais-Natureza, que decorre em Tomar (distrito de Santarém), a líder parlamentar defendeu também que a alteração de estatutos que subscreve e que foi aprovada antes da pausa para almoço tem como objetivo "reforçar esta participação interna das diferentes estruturas, a pluralidade das opiniões, o debate sobre as questões fundamentais do partido e as posições a assumir nos diversos momentos chave do futuro e presente do país".

E realçou que o PAN foi “o primeiro partido político português que trouxe finalmente para a agenda e para o xadrez político uma visão global e integradora, mas também de forma disruptiva as causas animal e ambiental”, falando em pouca “vontade política de mudar”.

Muitos consideraram-nos à data um epifenómeno. Lamentamos defraudar, o tempo deixou bem claro que são cada vez mais as eleitoras e os eleitores que se identificam com o ideário do PAN”, defendeu.

Momentos antes da primeira vez que se dirigiu aos delegados apresentação, a deputada (que recupera de uma queda e não assistiu aos trabalhos da manhã presencialmente) entrou na sala ao som de aplausos.

/ DA