O dirigente da corrente minoritária socialista Daniel Adrião pediu esta quarta-feira aos militantes "históricos" para travarem o modelo misto (presencial e por videoconferência) de congresso nacional proposto pela direção do PS para 10 e 11 de julho.

Numa nota enviada à agência Lusa, Daniel Adrião afirma que o modelo proposto pelo Secretariado Nacional do PS para a realização do congresso "é um rude golpe na democracia interna do partido e é atentatório dos direitos, liberdades e garantias dos seus militantes".

Apelo a um sobressalto cívico no PS contra esta deplorável decisão e espero que os militantes impeçam este atentado contra o pluralismo interno. Há militantes históricos, com especiais responsabilidades na preservação do património democrático do PS, que não podem ficar em silêncio e que não devem ser cúmplices deste grave atropelo à democracia, que atenta contra a memória de Mário Soares", sustenta Daniel Adrião.

Tal como a agência Lusa noticiou na terça-feira, o PS está a preparar o seu próximo congresso nacional para o segundo fim de semana de julho, em modelo misto - presencial e por via digital -, com os delegados a concentrarem-se em 13 diferentes pontos do país.

Com este modelo, a ideia da direção do PS é evitar que haja uma grande concentração de congressistas no mesmo espaço, numa fase em que o país ainda deverá estar a enfrentar a epidemia de covid-19.

Assim, os cerca de dois mil delegados estimados (entre eleitos e inerentes) para o congresso do PS serão distribuídos por 13 pontos diferentes do país, consoante as federações distritais a que pertencem, e os trabalhos serão seguidos em modelo de videoconferência.

No entanto, para Daniel Adrião, membro da Comissão Política do PS, "uma reunião magna espartilhada e dividida por múltiplos locais, como se de uma videoconferência se tratasse, não oferece as mínimas garantias democráticas".

Não será um congresso onde estejam garantidos os direitos democráticos consagrados na Constituição da República Portuguesa e nos Estatutos do PS, será uma mera encenação propagandística. A pandemia não pode servir de pretexto para suprimir direitos democráticos, mas é infelizmente isto que tem acontecido, como aliás revela o relatório do Democracy Índex 2020 que acaba de ser publicado. Um relatório onde Portugal é apontado como uma democracia com falhas e onde se conclui ter havido uma reversão das liberdades democráticas no último ano", salienta.

Daniel Adrião recusou também o argumento relativo à necessidade de fazer um congresso com garantias de segurança contra a covid-19, contrapondo que em julho, de acordo com o plano de vacinação do Governo, prevê-se que esteja vacinada mais de um terço da população, onde se incluem todas as pessoas que estão nos grupos de risco".

"O que significa que muito provavelmente nessa altura já poderão estar reunidas as condições sanitárias para a realização do congresso de forma presencial, com os devidos cuidados. E se essas condições não estiverem ainda reunidas, nada se perde em adiar o congresso mais uns meses e realizá-lo no final do ano, quando já houver imunidade comunitária, conforme o governo prevê que aconteça. Quem adiou o Congresso mais de um ano, também o pode adiar mais uns meses", acrescenta.

/ MJC