O PS defendeu esta quarta-feira que a economia portuguesa deu sinais de capacidade de resiliência e reação rápida sobretudo no último trimestre de 2020 e justificou a execução da despesa abaixo do estimado pela menor destruição do emprego.

Esta análise sobre a evolução da economia portuguesa ao longo do ano passado foi transmitida pelo vice-presidente da bancada socialista João Paulo Correia, na Assembleia da República, depois de citar dados que indicam que a queda do Produto Interno Bruto (PIB) terá sido menos grave do que projetaram todas as entidades nacionais e internacionais.

João Paulo Correia começou por salientar que, por causa da crise sanitária provocada pela pandemia da covid-19, o PIB caiu "15 mil milhões de euros em 2020 - uma queda sem paraquedas e com impacto brutal nos tecidos económicos e social".

Mas verifica-se que a queda da economia no segundo semestre do ano passado, sobretudo no último trimestre de 2020, não foi tão acentuada como era estimado, o que se deveu a um comportamento mais positivo do investimento e das exportações. Isso significa que a nossa economia tem capacidade de resiliência e de reação rápida", sustentou.

O vice-presidente do Grupo Parlamentar do PS advogou depois que, perante a crise, o Estado "não poupou a esforços, tendo mobilizado no ano passado 22 mil milhões de euros de apoio à economia, às empresas e às famílias".

Confrontado com o facto de a execução da despesa ter ficado abaixo do estimado pelo Governo no final de 2020, João Paulo Correia recusou que se tenha seguido uma lógica de poupança orçamental.

Os dados indiciam que a destruição de postos de trabalho não foi tão elevada como se estava à espera. Se Portugal conseguiu preservar mais postos de trabalho do que se projetava, isso significa que as contribuições para a Segurança Social ou o pagamento do IRS permitiram uma receita superior ao esperado. Por outro lado, a despesa prevista com subsídios de desemprego não foi tão elevada", justificou.

Perante os jornalistas, o dirigente da bancada socialista admitiu que "a nova vaga" da epidemia da covid-19 vai dificultar a recuperação económica.

"Mas, depois de dobrarmos este cabo das tormentas, estamos confiantes de que a nossa economia irá recuperar com a mesma rapidez e com a mesma confiança que demonstrou no último trimestre de 2020. Para isso é importante que a União Europeia também mobilize rapidamente o Plano de Recuperação e Resiliência, a tal bazuca financeira", afirmou.

/ RL