O secretário-geral adjunto do PS, José Luís Carneiro, desafiou hoje o PSD a “clarificar” se continua a apoiar a solução de um novo aeroporto no Montijo que decidiu quando era governo ou “se está a ceder a uma vertigem populista”.

Em conferência de imprensa na sede nacional do PS, em Lisboa, José Luís Carneiro, assegurou que os socialistas irão “continuar o diálogo com os municípios” e com “todos os partidos com representação parlamentar”, mas centrou as críticas no PSD, que na quarta-feira disse estar indisponível para alterar a lei que permite a qualquer uma das autarquias afetadas pela construção do aeroporto do Montijo vetar o avanço do projeto.

É exigido por um imperativo de ética republicana ao PSD que clarifique a sua posição: o dr. Rui Rio mantém a posição do governo PSD-CDS, pela mão do qual se optou pela solução ‘Portela + 1’, neste caso pelo Montijo, ou o PSD está a ceder a uma vertigem populista, como tem vindo a acontecer nos últimos tempos?”, questionou José Luís Carneiro, invocando posições recentes dos sociais-democratas na contagem do tempo de serviço dos professores ou do IVA da luz. 

O secretário-geral adjunto do PS defendeu que foi o PSD que “há dez anos inviabilizou um novo aeroporto com o discurso de diabolização do investimento público e adotou a solução do Montijo” e enumerou declarações de ex-ministros e dirigentes sociais-democratas que reafirmaram esta opção ao longo do tempo.

O PSD habituou-nos a um sentido de responsabilidade coletiva, o dr. Rui Rio tem o dever de clarificar se mantém posição que foi assumida pelo próprio Governo PSD em coligação com o CDS, a partir de 2013, ou se está a ceder à vertigem populista que de quando em vez parece tomar conta do PSD”, reiterou, acusando os sociais-democratas de "uma certa bipolaridade" nesta matéria.

Na quarta-feira, em declarações aos jornalistas na sede nacional do PSD, o vice-presidente Salvador Malheiro afirmou que o partido considera que “a temática da localização” do novo aeroporto de Lisboa, no Montijo, “está fechada”, mas recusou que seja responsabilidade dos sociais-democratas viabilizar a alteração de uma lei “que deve ser geral e abstrata” para servir a um caso concreto.

/ BC