O líder do PSD, Pedro Passos Coelho, defendeu hoje que o orçamento atual para a área da Cultura é "ligeiramente menor" do que durante o seu executivo, quando "as dificuldades financeiras eram imensas".

Num colóquio sobre Cultura e Património, organizado pelo grupo parlamentar do PSD na Assembleia da República, Passos Coelho disse que se vive na área da cultura, como noutras, "uma ideia de artificialismo".

"De que temos muito mais dinheiro quando não temos, de que se dá muito mais importância quando não dá. Esse artificialismo vive de tentativas de ocultação e rescrição da história e muitas vezes de mentiras, quando não de falta de vergonha", afirmou.

Dizendo que a verba destinada atualmente no Orçamento do Estado à Cultura "é hoje não maior mas até ligeiramente menor" do que nos executivos que chefiou, Passos Coelho contestou igualmente que seja dada pelo Governo PS uma maior importância política à Cultura por ter criado um Ministério próprio.

A este propósito, o líder do PSD lembrou que no segundo executivo que chefiou em coligação com o CDS-PP - mas que duraria menos de um mês, derrubado no parlamento pelo 'chumbo' do seu programa de Governo - também criou um Ministério para a Cultura, liderado por Teresa Morais, que também assistiu ao colóquio.

"Hoje que existe um Ministério da Cultura ele despareceu, não se sabe o que é feito dele em termos de importância política", acusou.

Reconhecendo que "há muitos anos" que não é atribuída à área da Cultura tanto dinheiro "quanto seria necessário", Passos Coelho disse orgulhar-se das políticas que desenvolveu nesta área.

"O que se fez e investiu em diversos domínios na área da cultura deixa-nos tranquilos por saber que não falhámos naquilo que era essencial", defendeu.

Líder da bancada PSD criticou Catarina Martins

Entretanto, o líder do grupo parlamentar do PSD, Luís Montenegro, criticou a coordenadora do Bloco de Esquerda, por só agora a deputada se ter apercebido de que o PS não está a fazer melhor do que o PSD, na Cultura.

"A deputada de um partido que até suporta o Governo tem andado muito distraída", disse Luís Montenegro, durante a mesma conferência "Cultura e Património", promovida pelo PSD.

No domingo, a coordenadora do Bloco de Esquerda criticou o “vergonhosamente baixo” orçamento para a área da cultura do atual Orçamento do Estado, sublinhando que é “igual, se não pior, aos orçamentos para a cultura do tempo do PSD/CDS”.

“O Orçamento do Estado para a cultura não só é vergonhosamente baixo e igual, se não pior, aos orçamentos para a Cultura do tempo do PSD/CDS, como não se regista nenhuma evolução, nem no que diz respeito à forma como se encaram os equipamentos públicos de cultura, nem o tecido profissional da cultura, nem mesmo a saudável, democrática e transparente forma de se poder distribuir os poucos e escassos meios que existem para a cultura”, afirmou a líder bloquista, Catarina Martins, no encerramento da sessão pública “Viver a Cidade – o que fazer com a Cultura?”, organizada no Porto pelo BE.

Na abertura da conferência de hoje, realizada pelo grupo parlamentar do PSD, o líder da bancada social-democrata criticou o Ministério da Cultura, alegando que "não tem correspondido ao que se esperava no eixo orgânico do Governo".

"Temos expectativas de hoje conseguir tirar algumas conclusões para a criação de novas iniciativas na área da Cultura", disse o deputado.

"O património português em Portugal e no mundo e a sua importância para a nossa identidade e projeção" foi um dos temas da conferência de hoje, na qual o ex-diretor-geral do Património Cultural Nuno Vassallo e Silva, quadro da Fundação Calouste Gulbenkian, considerou que o sistema português enferma de três fragilidades ao nível da cultura.

"A ausência de uma estratégia de longo/médio prazo, a ‘suborçamentação’ crónica e a ausência de transmissão de conhecimentos dos profissionais/especialistas, agravada pela redução do número de técnicos, por ausência de verbas", disse.