O presidente do PSD admitiu, "se necessária", a criação de uma comissão de inquérito para "apurar toda a verdade" no caso das offshores, mas sublinhou que antes de se falar em responsabilidade política tem de se averiguar.

"Só quando tivermos oportunidade de averiguar é que vamos perceber. Até lá o meu princípio é o mesmo: não ponho o carro à frente dos bois e não tiro conclusões precipitadas. O que posso dizer é que estou tão à vontade nesta matéria que não posso se não incentivar a procura da verdade e facilitar, seja através das audições no parlamento, seja, se for necessário, com a criação de uma comissão de inquérito, o apuramento de toda a verdade", afirmou Pedro Passos Coelho.

O jornal Público noticiou na terça-feira que quase 10 mil milhões de euros em transferências realizadas entre 2011 e 2014 para contas sediadas em paraísos fiscais não foram nesse período alvo de qualquer tratamento por parte da Autoridade Tributária e Aduaneira, embora tenham sido comunicadas pelos bancos à administração fiscal, como a lei obriga.

Esta sexta-feira, questionado se admite alguma falha de atuação do seu executivo quando era, no Governo anterior, primeiro-ministro, Passos Coelho sublinhou sempre que "sem conhecer os factos" não pode "admitir suposições".

"O que posso fazer, e fiz no parlamento, é dizer que uma vez que houve, do ponto de vista jornalístico, notícia de que pode ter havido irregularidade na ação da Autoridade Tributária ao analisar movimentos para territórios que não o português, territórios que se designam de ‘paraísos fiscais', a única coisa a fazer é investigar e saber o que é que se passou", referiu aos jornalistas no Porto, à margem de uma visita à Essência do Vinho.

Pedro Passos Coelho afirmou que "nem o atual Governo, nem o anterior podem responder diretamente sobre factos que não podem ser imputados em primeira instância à ação dos Governos", pelo que, insistiu: "É preciso que haja clarificação do que se passou".

"O que não pode é haver - de forma leviana e indigna do Governo - a sugestão explícita de que houve essa responsabilidade política e de que o anterior Governo deixou voar para fora do país 10 mil milhões de euros poupando as entidades ricas que quiseram colocar o seu dinheiro fora do país sem pagar os seus impostos, quando os portugueses andavam a fazer sacrifícios. Isto é uma forma absolutamente indigna de colocar a questão", criticou.

Frisando que enquanto esteve no Governo teve "uma ação muito forte de combate à evasão fiscal e à fraude fiscal", Passos Coelho referiu "estar a colocar nesta altura como primeira explicação que a responsabilidade foi do Governo anterior, é o mesmo que estar a dizer que o Governo terá dado ordem para a Administração Fiscal para não atuar".

"Isso para mim é impensável (…) Eu não estou a tentar ganhar tempo. Eu faço nesta matéria o que o atual Governo está a fazer com a Caixa Geral de Depósitos. Eu estou a dizer que nunca ouvi falar desse assunto, julgo que o atual Governo também foi prevenido pela Autoridade Tributária, quanto a essas inconsistências e é preciso apurar. Se eu estivesse no Governo era o que estava a fazer", concluiu.