O presidente do PSD criticou sábado à noite o primeiro-ministro por desvalorizar as declarações do Procurador-Geral da República sobre a existência de escutas ilegais em Portugal, considerando o caso muito grave num estado de direito, escreve a Lusa.

Num jantar comício em Penela, depois de ter participado em Oliveira do Hospital na tomada de posse da distrital de Coimbra, Pedro Passos Coelho acusou José Sócrates de não ter exigido imediatamente ao procurador Pinto Monteiro que explicasse «tudo o que sabe» e optasse por desvalorizar a questão quando confrontado no Parlamento pelo PSD.

«Se um PGR fizesse acusações desta natureza, o PSD saberia com certeza o que fazer. Convidava-o a explicar, com toda a transparência e clareza, o que queria dizer e, se não o fizesse, propunha ao Presidente da República a nomeação de outro procurador», garantiu o líder social-democrata.

Perante cerca de 900 pessoas, Pedro Passos Coelho acusou o Governo socialista de todos os dias «dar talhadas no Estado Social», dando como exemplos o corte na comparticipação de medicamentos, o aumento das taxas moderadoras, o corte nos salários e o sistema de atribuição de bolsas.

«É um Governo que não fez reformas, utiliza a via do faz de conta e depois chega à conclusão de que não tem dinheiro para as coisas necessários», frisou o dirigente, que registou o facto de a ministra da Saúde e o criador do Serviço Nacional de Saúde admitirem o lançamento de um imposto para a saúde.

«Quando o dinheiro não chega, o que os socialistas fazem é aumentar os impostos ou criar um novo», sublinhou Pedro Passos Coelho.

O líder do PSD disse que o seu partido está a «preparar reformas de futuro», em que as pessoas possam ter liberdade de escolha, e garantiu que o partido continua a ter uma matriz social-democrata.

Segundo Pedro Passos Coelho, a maioria da população portuguesa já se apercebeu de que «estamos a chegar ao fim de linha» e o PSD prepara-se para ser uma «alternativa verdadeira e abrir uma janela de esperança» em Portugal.
Redação / PP