O presidente do PSD assumiu, nesta segunda-feira, que o partido espera ganhar uma “maioria de mandatos” nas próximas eleições autárquicas, um objetivo que não será fácil, mas que está "ao alcance".

Nós temos a expectativa de poder nestas eleições alcançar uma maioria de mandatos, quer nas câmaras municipais, quer nas juntas de freguesia. Isso para nós é importante e estou convencido de que, não sendo um objetivo fácil, é um objetivo que está ao nosso alcance”, afirmou Passos Coelho durante um jantar da distrital do PSD/Porto, que reuniu na Maia mais de 200 militantes.

O líder social-democrata destacou ter a certeza de “que o distrito do Porto, apesar de já ter um resultado muito significativo em termos de representação do PSD nas autarquias locais, pode dar um contributo para este objetivo nacional, alargando os resultados de sucesso no distrito”.

E eu não deixarei de estar cá a acompanhar esse trabalho e a poder mais de perto testemunhar o empenhamento que tenho verificado existir intensamente de preparação e envolvimento de todos os órgãos para que essas candidaturas sejam bem-sucedidas”, garantiu.

Pedro Passos Coelho começou por dizer que 2017 será um “ano político muito intenso”, especialmente “porque a agenda autárquica vai dominar os trabalhos políticos”.

É assim em ano de eleições, é um assunto que tem relevo para as escolhas que vão ser feitas por quatro anos nas nossas terras e o PSD tem que estar preparado para apresentar as melhores equipas para essas eleições”, disse.

Quanto ao distrito do Porto, Passos Coelho assinalou que “em muitos municípios”, o trabalho do PSD foi bom pelo que há “razões para estar confiantes em ver renovar a confiança dos cidadãos no trabalho que os autarcas desenvolveram”.

“Noutros casos há que fazer novas escolhas com a ambição de encontrar do lado do eleitorado uma confiança que nos permita voltar a ganhar eleições onde as perdemos no passado ou onde, por qualquer outra razão, acabamos por não ter um projeto bem-sucedido”, admitiu.

Passos Coelho defendeu também que “as eleições não se ganham só na campanha eleitoral e nas escolhas que são feitas para aquela eleição”.

“Muitas vezes há um trabalho de preparação que demora o seu tempo. Às vezes acertamos, outras vezes preparamo-nos para o outro a seguir. É isso que faz um grande partido”, salientou.

A "agenda revanchista" do Governo

Passos criticou hoje a “agenda revanchista” do Governo, que durante o último ano optou por “cavar debaixo dos pés” ao reverter “uma série de medidas de natureza estrutural” do executivo anterior.

Um Governo que queira estar apostado numa agenda que traga crescimento e confiança para futuro tem que ser menos revanchista e tem que construir mais em cima daquilo que recebeu e este entendeu andar sempre a cavar debaixo dos pés, foi a sua escolha”, criticou.

Para o líder social-democrata, “há muito de intencional de revanchismo nesta ideia de querer justificar a presença de um Governo com esta maioria, com esta composição maioritária, porque era necessário o país respirar”.

“Esta solução de Governo teve uma agenda (…) profundamente revanchista”, salientou Passos Coelho, recordando, em jeito de balanço de 2016, que “foi um ano em que o executivo e a maioria se afirmaram contra o Governo anterior”.

Destacou ainda como “o governo e a sua maioria estiveram também a reverter uma série de medidas de natureza estrutural”, o que, disse, “ainda é pior porque isso atrasa para futuro a recuperação” que o executivo PSD/CDS que liderou estava a fazer.

“Não creio que houvesse uma necessidade extrema de um novo Governo se afirmar contra o anterior só porque o anterior tinha procurado tirar o país da bancarrota e, por isso, executado um programa difícil”, salientou.

Ainda sobre o ano passado, referiu que 2016 “terminará com um crescimento económico superior àquele que o Governo por fim reviu”, mas, ainda assim, “foi um ano com pior desempenho económico que o ano anterior”.

“Não só foi pior que 2015, como foi muito pior do que aquele que foi observado em Espanha, na Irlanda (…), países que também passaram por circunstâncias particularmente adversas”, assinalou o presidente do PSD, para quem Portugal está a “ficar para trás”.