O Tribunal de Ponta Delgada começou esta quarta-feira a julgar o antigo director do Expresso e o correspondente do semanário em Bruxelas, num processo que o eurodeputado Paulo Casaca apresentou por alegada difamação através da imprensa escrita, refere a Lusa.

Em causa está uma notícia que foi publicada em 2005 pelo jornal Expresso, com o título de primeira página «Deputado Português com amigos terroristas».

A notícia sugeria uma ligação do eurodeputado Paulo Casaca ao braço político da resistência do Irão, através de um seu assessor.

Os «Mujahedines do Povo» foram criados na década de 60 em oposição ao regime do Xá e depois da revolução islâmica, em 1979, entraram em choque com o regime dos «ayatollahs», que combateu a partir do Iraque, com apoio do antigo ditador Saddam Hussein.

Segundo Paulo Casaca, numa entrevista recente, em Dezembro de 2006 o Tribunal de Primeira Instância da União Europeia havia anulado a inclusão deste grupo na lista de organizações terroristas e a congelação dos seus fundos em território comunitário.

Paulo Casaca considerou ainda «inqualificável» o que foi feito pelo Expresso na altura dos factos.

No início do julgamento Carlos Daniel do Rosário, correspondente do Expresso em Bruxelas, disse nunca ter feito nenhum juízo de valor no seu texto, «respeitando todos os princípios deontológicos» na elaboração de uma noticia «com interesse noticioso».

«Não podia deixar de chamar a atenção da dedicação do eurodeputado português a uma causa que não é propriamente popular em Portugal», sustentou.

Segundo o jornalista, que disse ser apenas o autor do corpo da notícia, as informações para o texto foram obtidas pelas vias legais e pelo próprio eurodeputado.

Referiu que depois de consultar a página institucional do eurodeputado vi o nome do assistente, que «destoava por ser o único que não era português», facto que lhe chamou a atenção.

«Digo [no texto] que é um deputado português que tem contacto directo com uma organização, considerada terrorista, de acordo com listas europeias e americanas», sustentou.

José António Saraiva, antigo director do Expresso, sublinhou que o jornalista teve todo «o cuidado na elaboração da notícia e respeito pelo código deontológico».

«É objectiva, sem nada ofensivo», afirmou José António Saraiva, frisando que a notícia em causa tinha «um potencial interesse público muito elevado».

O antigo director do Expresso negou ainda que o texto em causa tenha sido tratado de uma forma sensacionalista, tendo sido relatados «factos verdadeiros, com interesse».