«Houve incompetência e inebriamento na investigação criminal que a afastou da verdade». Paulo Pedroso fala do processo Casa Pia, no âmbito do qual esteve detido, e da percepção «do que ali estava a ser construído, por diferentes pessoas, e em diferentes momentos, para dar aquele resultado». «Uma urdidura», aventou, «o que me aconteceu não aconteceu num só passo», afirmou à TSF, numa entrevista emitida esta quarta-feira.

Para o socialista, que regressa agora ao Parlamento, além da «incompetência criminal», houve um «erro judicial que foi agora classificado de grosseiro», disse aos microfones da TSF, na primeira entrevista após o Tribunal da Relação ter decidido por uma
http://diario.iol.pt/sociedade/casa-pia-paulo-pedroso-estado-indemnizacao-juiz-tribunal/986976-4071.html target_=blank>indemnização de 130 mil euros por detenção ilegal
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«Se a urdidura é o resultado de incompetência, obstinação e erro, e portanto o tempo urdiu contra a consciência dos próprios agentes, ou se a urdidura é o resultado de um processo elaborado por alguém. Mas eu não tenho meios para investigar», afirmou ainda, não escondendo amargura pelo então Procurador-Geral da República, Souto Moura. «Acreditou em actos de fé em vez de ficar totalmente livre para investigar todas as alternativas».

Mas «mais tarde ou mais cedo saber-se-á se se tratou de uma sucessão de acasos trágicos ou de algo construído deliberadamente». Das duas uma: «Ou quem investiga consegue descobrir o que aconteceu, ou quem participa no que aconteceu não resistir a contar ¿ e a história o dirá; mas esta mentira não é eterna», garante, não excluindo que o esclarecimento passe por uma «investigação criminal».

Sobre o regresso à vida política, Pedroso sublinhou que «era preciso que um tribunal dissesse: "O que aconteceu ao dr. Paulo Pedroso em 2003 nunca devia ter acontecido" e tal deveria ser classificado como "erro grosseiro" ¿ como foi», concluiu, explicando que se retirou da vida pública enquanto «o sistema judicial não reconheceu o seu erro».

Mas apesar de ter sido feita justiça na vertente reparadora, Pedroso tem «consciência da mancha» que o irá continuar a afectar: «Entre Maio de 2003 e agora passei por um longo buraco negro de luta contra uma mentira, de luta contra uma calúnia e difamação».

«PS não deve ter medo de um Bloco Central»

Numa análise do próximo ano, repleto de actos eleitorais, Paulo Pedroso deu a estratégica para que o Partido Socialista saia vencedor. Falou da necessidade de acolher todas as sensibilidades ¿ mesmo as mais à esquerda ¿ no partido, sem excluir ninguém, e avançou com um cenário de coligação com o PSD, caso o PS não conquiste, em 2009, outra maioria absoluta. «Não tenho nada contra o Bloco Central».
Judite França