Paulo Portas tem vindo a destacar, ao longo da campanha, que o CDS-PP tem um «compromisso social» a defender nestas eleições. Utilizando muitas vezes um discurso mais conotado com a esquerda, o líder democrata-cristão fala dos mais pobres, dos trabalhadores, dos idosos, e afasta-se tanto quanto pode do PSD.

«Nas questões sociais, sinto-me à esquerda do PSD. Na defesa dos mais pobres, dos idosos, das pensões mínimas rurais e sociais. Eles têm, porventura, excesso de liberalismo. Nós temos um compromisso social mais forte, mais vincado, mais focado, mais permanente», disse, esta manhã, durante uma visita à feira de Sátão, Viseu.

No entanto, vincou que esta diferença «não é incompatível». «É por isso que são dois partidos diferentes», acrescentou.

Portas tinha sido confrontado pelo presidente de uma junta de freguesia local, que pretende uma coligação de PSD e CDS, mas que admite que os democratas-cristãos são os que «olham pelos mais pobres».

Confiante numa «migração» de votos da esquerda para o CDS no próximo dia 5 de Junho, Paulo Portas insistiu na «maior preocupação e sensibilidade social» do seu partido.

«Nestas eleições, o que está em causa não é a esquerda ou a direita, é o trabalho. As pessoas não precisam de concordar com tudo o que o CDS pensa para votarem em nós», destacou.

Portas visitou a pequena feira de Sátão sem grandes atropelos e encontrou um funcionário do Governo Civil, que o questionou sobre o que vai acontecer aos trabalhadores se a extinção destes organismos avançar. «Os governos civis deixaram de fazer sentido há muitos anos. As competências têm de ser redistribuídas com cuidado», justificou o líder do CDS.
Catarina Pereira