Paulo Portas teceu, esta quarta-feira, duras críticas à gestão de uma crise global e considera que a pandemia provou que os governos direta ou indiretamente populistas "não sabem gerir situações complexas".

Num longo discurso na convenção Movimento Europa e Liberdade (MEL), o político destacou que houve governos que "provaram menos bem" na gestão desta crise pandémica e que "houve muitos erros" que considera "quase naturais porque errar no desconhecido é mais perdoável que errar no conhecido".

Mas "repetir os erros que nós já conhecemos é que eu já não acho perdoável". E sublinhou uma característica: "Esta crise provou que os governos direta ou indiretamente populistas não sabem gerir situações complexas".

O político elencou que entre os doze piores casos no mundo, nove têm ou tiveram governos populistas ou de coligação à esquerda ou à direita.

O populismo, seja ele de esquerda ou de direita, é sempre uma simplificação. Uma pandemia não é simplificável, é um assunto complexo". considerou.

Sobre as lições aprendidas ao longo deste ano, Portas destacou que as nações que agiram depressa controlaram melhor a pandemia e nunca chegaram a fechar completamente a economia. 

"Nenhum de nós sabe qual é a próxima crise global, nem a sua natureza, e estará o mundo mais preparado? E aprendemos alguma coisa com aquilo que vivemos? É uma questão que o tempo responderá", questionou.

Contudo, deixou uma nota: "Se nós temos hoje uma saída para esta crise, não devemos isso a nenhuma forma de socialismo, nem a nenhuma forma de anti-globalismo e anti-capitalismo".

Paralelamente, atribuiu a solução às vacinas, "que são o resultado de uma extraordinária relação entre capital e ciência", e alertou que Portugal só sairá esta crise com recurso aos instrumentos da globalização.

(Portugal) precisa de regressar a um mundo onde se pode vender e comprar. Precisa absolutamente de acelerar o passo na investigação e no investimento privado e público. E isso não se faz num mundo fechado...A menos que queiramos ficar parados no tempo e empobrecer".

Ainda na mesma linha, destacou que os quadros de estímulos americanos e o europeu "não são comparáveis", mas que este não é apenas um problema de dimensão: "Há também um problema de dimensão".

A Europa, que fez um passo em frente com o PRR, determinou que grande parte dos fundos são digitais ou verdes"

Mas há também uma diferença de tempo e de montante: Portas estima que os europeus deviam aprender com os norte-americanos, que investiram quase quatro vezes mais na investigação das vacinas que atualmente encontramos que a UE.

Para aqueles que não conseguem surpreender-se com o facto de 4 e 5 das vacinas elegíveis serem americanas, pelo menos deveriam preocupar-se em perceber porque é que os americanos investiram mais numa decisão que tem risco"

Rafaela Laja