Os diplomatas que vencerem o próximo concurso vão ter de fazer um estágio obrigatório em empresas, disse hoje o ministro do Estado e dos Negócios Estrangeiros, Paulo Portas.

«O próximo concurso diplomático será muito focado nas relações económicas globais e, pela primeira vez, aqueles que ganharem por mérito - e garanto-vos que é um mérito muito exigente -, a possibilidade de servirem Portugal como diplomatas terão de fazer um estágio obrigatório em empresas», afirmou Paulo Portas, citado pela Lusa.

O ministro falava na conferência «Investimento francês em Portugal», que decorreu hoje em Lisboa.

«Quero que a linguagem comercial se torne natural, acessível, próxima e imediata nos diplomatas e que as empresas compreendam qual o modo de raciocinar e atuar dos nossos diplomatas», explicou o governante.

Paulo Portas apontou ainda a competitividade fiscal como uma das apostas para captar investimento estrangeiro para o mercado português.

«Portugal tem hoje mais 14 convenções para evitar a dupla tributação do que tinha há um ano e meio e espero chegar ao fim do mandato com o dobro das convenções do que tinha no início», disse.

Perante a economia global, explicou o ministro, o conceito de diplomacia económica corresponde «em mercados não europeus, mas às vezes também em mercados europeus facilitar às empresas portuguesas acesso à informação precoce sobre as oportunidades abertas nesses mercados e, sobretudo, acesso em igualdade de circunstâncias à decisão política».

Em muitos países «a economia de mercado não é única lei, nem é a lei predominante, e fatores políticos tornam-se extraordinariamente importantes nas decisões económicas. Perante esse facto, as empresas portuguesas precisam de quem as ajude a chegar ao decisor político na hora certa e esse é o trabalho essencial da diplomacia para a qual quer as empresas, quer os diplomatas têm de se preparar».

É preciso «saber compreender que no século XXI, em economia global, as relações internacionais são essencialmente uma balança de poder económica», afirmou, sublinhando que «as dívidas soberanas contam tanto quanto os exércitos».

Para o ministro é «essencial, prioritário» que os diplomatas compreendam a importância de saber defender os interesses económicos e empresariais do país, de «fazerem diplomacia económica e de negócios sem que "os parentes caiam na lama", sem nenhum problema, porque isso é defender Portugal no exterior».
Redação