Foi na primeira entrevista após o anúncio da sua candidatura à presidência do PSD, que Paulo Rangel assumiu estar "preparadíssimo" para umas eleições legislativas antecipadas. Porém, o social-democrata não acredita que o cenário de crise política vá avante. 

Eu acho a crise política muito pouco provável, mas há coisas que nunca se podem excluir liminarmente", afirmou, considerando, no entanto, que esta tomada de posição por parte do PCP e do Bloco de Esquerda em relação ao Orçamento do Estado para 2022 (OE2022) não se trata de uma encenação, mas sim de um "extremar da negociação"

Na ótica do eurodeputado, "não é desejável" que o país entre numa crise política, até porque os portugueses não o perceberiam, mas, caso isso venha a acontecer, está seguro num bom resultado para o PSD.   

O partido está preparadíssimo, se eu for líder do partido, [este] preparar-se-á para as eleições quando elas tiverem de ocorrer para as vencer."

 

Nós, neste momento, com as eleições internas marcadas para 4 de dezembro, aconteça o que acontecer, eu não só estaria preparado, como acho que o PSD não pode renunciar ao processo de fazer as suas eleições internas, de o líder ir legitimado (...) o congresso em janeiro seria um grande momento de apresentação do programa e de afirmação política", acrescentou. 

"Não compete ao PSD aprovar o orçamento"

No entanto, como Rangel elencou várias vezes ao longo da entrevista exclusiva à TVI, isto é apenas um cenário especulativo. 

Regressando ao OE2022, o candidato à liderança é muito claro ao dizer que o PSD não tem que aprovar aquilo que considera ser um "mau orçamento" e que a obrigação do PS é negociar com os parceiros de coligação: PCP e Bloco de Esquerda.

O Partido Socialista disse variadíssimas vezes que não quer nenhum acordo com o PSD nesta matéria e, portanto, não compete ao PSD aprovar o orçamento."

 

Rangel admite acordos e coligações com CDS e IL ou governar em minoria sem "partidos radicais"

Paulo Rangel admitiu fazer acordos e até coligações com o CDS-PP e o Iniciativa Liberal com vista a uma maioria absoluta de centro-direita ou governar em minoria, colocando assim uma espécie de cordão sanitário a "partidos radicais", sejam eles de direita ou de esquerda.

Em entrevista à TVI, defendeu que, se for eleito presidente, o PSD vai batalhar “para ter maioria absoluta”. Questionado sobre qual seria a sua posição caso isso dependesse do Chega, Rangel foi categórico. 

O Governo do PSD nunca será feito com um partido radical, seja de direita, seja de esquerda”, sem nunca referir o nome do partido liderado por André Ventura.

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No entanto, excluiu que tal signifique necessariamente entregar o poder à esquerda. "Portugal já teve governos minoritários de sucesso”, afirmou, defendendo que o centro-direita já teve maiorias absolutas no passado e pode voltar a ambicioná-las, dizendo que o atual presidente do PSD, Rui Rio, “tem alienado o centro-direita e a direita moderada”.

"Tenho um enorme respeito pessoal e político por Rui Rio"

Questionado se ficaria surpreendido se Rio não se recandidatasse à liderança do partido, Rangel afirmou não ter "estados de alma" sobre essa matéria.

Tenho um enorme respeito pessoal e político pelo dr. Rui Rio, que conheço há 20 anos, qualquer decisão que tome respeitarei com enorme recato. Se for candidato terei o maior gosto em disputar eleições com ele”, disse, acrescentando não ter “uma visão pessoal da política”

Sobre o que o distingue do atual presidente - que apoiou nas diretas de há dois anos -, Paulo Rangel apontou a falta de esforço de “agregação” das várias tendências no partido, não convidando adversários como Luís Montenegro ou Miguel Pinto Luz para integrarem órgãos nacionais em 2020, e a forma de oposição ao Governo, que “tem de ser mais firme, mais visível, mais assertiva”.

O eurodeputado afirmou que o seu principal objetivo é unir o PSD e que, para isso, não precisa do apoio "desta ou daquela personalidade". Nesse sentido, e questionado sobre se contava com o apoio do ex-primeiro-ministro Pedro Passos Coelho, Rangel disse não poder falar por Passos, mas que também não precisa do apoio de ninguém.

Estas são decisões individuais. Não se pede aconselhamento, nem se espera tutela e muito menos de antigos líderes. E se me permite alguma emancipação, eu não preciso da tutela de ninguém, seja quem for, para conseguir aquele que eu considero que é o primeiro objetivo do líder do PSD: fazer agregação", disse o candidato reiterando: "O meu primeiro objetivo é unir o PSD".

As eleições diretas do PSD foram marcadas para dia 4 de dezembro e o Congresso vai realizar-se entre 14 e 16 de janeiro, em Lisboa.

Nas últimas diretas, em 2020, Paulo Rangel apoiou o atual presidente, Rui Rio, contra Luís Montenegro e Miguel Pinto Luz, mas meses mais tarde viria a recusar um convite da direção para ser o candidato do PSD à Câmara Municipal do Porto.

O presidente do PSD, Rui Rio, ainda não esclareceu se será ou não recandidato ao cargo, mas diz que "está quase"

Rafaela Laja