O mail está assinado pela comissão permanente nacional do PSD e insiste na ideia de que o partido deve deixar as eleições internas para mais tarde, para se concentrar agora no "combate com os verdadeiros adversários".

O núcleo duro da direção de Rui Rio começa por mandar a indireta mais direta ao adversário interno, Paulo Rangel, sublinhando que este afirmou que não haveria eleições legislativas antecipadas e que uma maioria dos conselheiros nacionais decidiu, a 14 de outubro, antecipar a realização do congresso e das eleições internas. Isto apesar de a data proposta para as diretas, 4 de Dezembro, ter sido proposta inicialmente pela direção de Rui Rio, imediatamente antes de sugerir que deviam ser adiadas.

Nesta carta aos militantes, a comissão permanente dos social-democratas acrescenta que a antecipação das eleições legislativas é uma "excelente oportunidade para o PSD aproveitar o bom resultado das autárquicas e ganhar essas eleições". Por isso, apela à unidade do partido e considera que a "antecipação das eleições internas" parece "totalmente desajustada" e pede aos companheiros de partido que possam pensar sobre este momento do PSD e do país.

O e-mail termina apelando a que os militantes possam enviar a sua opinião, se o desejarem, para o mesmo e-mail oficial do PSD.

Deputado Pedro Rodrigues acusa direção e Rui Rio de "desorientação coletiva”

Entretanto, o deputado do PSD Pedro Rodrigues reagiu à carta enviada pela Comissão Permanente do partido considerando o seu conteúdo pouco “comprometido com a verdade”, e acusando a direção e o presidente de “desorientação coletiva”.

Numa publicação na sua conta oficial da rede social Facebook, Pedro Rodrigues, ex-líder da JSD, defende que as “posições que a direção do partido tem tomado nos últimos e, em especial, o seu presidente, revelam uma desorientação coletiva” que o deixa “profundamente preocupado”.

“A carta hoje enviada aos militantes com uma narrativa pouco comprometida com a verdade, o profundo desrespeito demonstrado por quem pensa de forma diferente e os ataques e pressões absolutamente inaceitáveis feitos ao Presidente da República significam um trajeto que o PSD tem rapidamente de inverter”, lê-se na mensagem.

Pedro Rodrigues, que apoia Paulo Rangel nas diretas do partido que irão ter lugar a 4 de dezembro, considera que a “obsessão que a direção do partido revela em suspender as eleições internas por si marcadas” mostra um “manifesto receio em enfrentar a opinião dos militantes” e “significaria a perda da oportunidade de o partido desenvolver uma saudável discussão interno que permita assegurar a unidade do partido e o fortalecimento de uma alternativa galvanizadora para Portugal”.

O deputado indica ainda que “ninguém no PSD pediu que a Direção Nacional marcasse eleições para a liderança do partido”, tendo estas sido “marcadas pelo Conselho Nacional a pedido e na data proposta pela direção e pelo seu presidente”, Rui Rio.

“O momento que vivemos exige que a direção do partido e o seu presidente revelem bom senso e serenidade e não caminhem no sentido da negação da realidade que nos pode conduzir a um processo similar ao que, infelizmente, se está a viver no CDS”, frisa.

Pedro Rodrigues defende assim que o “PSD precisa de rapidamente concluir o seu processo de escolha de liderança, definir o seu candidato a primeiro-ministro” e o seu programa eleitoral, “sem expedientes e sem manobras de secretaria”.

“Para que nos apresentemos aos portugueses com uma alternativa credível capaz de transformar Portugal e oferecer esperança aos setores mais dinâmicos da sociedade portuguesa, à classe média asfixiada pela carga fiscal e aos jovens que não encontram soluções para o seu futuro”, refere.

Segundo o deputado, “esse é o único caminho” para aqueles que “colocam Portugal em primeiro lugar”.

Paula Caeiro Varela / PP/com Lusa (atualizado às 14:43)