O deputado comunista Paulo Sá revelou esta sexta-feira que existe abertura do PS para a proposta do PCP de criar no Parlamento um grupo de trabalho sobre a dívida, de forma a tratar o assunto num "plano institucional".

A criação deste grupo de trabalho tem a concordância do PS, portanto é previsível que seja aprovado e poderá iniciar o seu trabalho com a recolha de informação relevante sobre dívida pública e externa, a audição de um leque alargado de entidades, instituições e individualidades que possam dar o seu contributo", afirmou o parlamentar do PCP na Assembleia da República.

O PCP propôs na quinta-feira a constituição de um grupo de trabalho sobre a dívida na comissão parlamentar de Orçamento, Finanças e Modernização Administrativa (COFMA), horas depois de a sua iniciativa de criar uma comissão eventual sobre o endividamento ter sido chumbada em plenário com os votos do PS, a abstenção de PSD e CDS-PP e o apoio do BE, PEV e PAN.

Paulo Sá salientou que "o objetivo é poder fazer-se uma análise das causas profundas da dívida, a situação, a perspetiva de evolução futura e debater as soluções para este gravíssimo problema que condiciona o presente e o futuro do país".

O deputado do PCP, referindo-se ao documento hoje divulgado, acordado entre socialistas e bloquistas sobre a mesma temática, afirmando que "dois partidos com assento parlamentar, PS e BE, tiveram a opção de criar entre eles um grupo de trabalho para discutir estas questões e apresentar soluções".

Nós entendemos que este problema deve ter uma abordagem no plano institucional, na Assembleia da República, com a participação de todos os partidos", concluiu.

Ainda hoje será formalmente apresentado o relatório "Sustentabilidade das Dívidas Externa e Pública", do grupo de trabalho com a participação de PS e BE, que trabalhou nos últimos meses.

Em abril, quando os comunistas propuseram a criação de uma comissão eventual sobre endividamento, o PS anunciou de imediato que chumbaria a iniciativa.

Para os socialistas, a missão de acompanhamento da dívida pública portuguesa cabe à COFMA.

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