A deputada do Bloco de Esquerda (BE) Mariana Mortágua considerou, esta segunda-feira, que o crescimento da economia registado pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) atesta que falhou a estratégia de "empobrecimento" do antigo executivo PSD/CDS-PP.

O projeto político de PSD e CDS faliu, está provado que não funciona, e compreende-se assim algum desespero nas reações destes dois partidos", considerou a bloquista, falando aos jornalistas no parlamento no dia em que o INE indicou que a economia portuguesa cresceu 2,8% no primeiro trimestre de 2017 face ao mesmo período do ano passado e, comparando com o trimestre anterior, subiu 1%.

Todos os dias, "a cada mês que passa", há "mais provas que devolvendo rendimentos e respeitando direitos o país cresce de forma mais forte e sustentada", prosseguiu Mortágua, avisando todavia que deve ser dada prioridade ao investimento público.

É importante que o produto" do crescimento económico "seja aplicado no investimento público" em áreas como a Saúde ou a Educação, "muito carentes de investimento", vincou.

"É tempo de recuperar o investimento perdido e a par da devolução de rendimentos, por exemplo, no IRS, essa é uma das prioridades do BE para o próximo ano".

Também os dirigentes do PCP declararam que os dados do INE sobre o crescimento económico são "inseparáveis da inversão com o rumo imposto pelo governo PSD/CDS", ainda que insuficiente.

Dados inseparáveis da inversão com o rumo imposto pelo governo PSD/CDS e das medidas, ainda que limitadas, de reposição e conquista de direitos e rendimentos", lê-se em comunicado dos comunistas.

"Os números agora conhecidos, desmentindo profecias dos que não se conformam com a derrota do governo anterior e da sua política, devem entretanto ser lidos com a prudência que resulta de uma conjuntura internacional favorável", continua o texto.

Para o PCP, "é na rutura com as opções da política de direita e na adoção de uma política determinada pela defesa, reposição e conquista de direitos, de dinamização do investimento e da produção nacional, de libertação do país da submissão ao euro”.

Os comunistas insistem na necessidade de “renegociação de uma dívida que é insustentável e de rutura com os interesses do capital monopolista que residirão as condições para que o ritmo de crescimento atingido no 1.º trimestre não tenha um caráter conjuntural e se projete de forma sustentável ao longo dos próximos tempos".

De acordo com a estimativa rápida das contas nacionais trimestrais relativas aos primeiros três meses deste ano, divulgadas hoje pelo INE, o Produto Interno Bruto (PIB) aumentou 2,8% em volume no 1.º trimestre de 2017, em termos homólogos, depois de no trimestre anterior ter registado uma variação homóloga de 2%.

Este desempenho trimestral homólogo é, assim, o mais positivo dos últimos 10 anos, já que iguala o crescimento verificado no último trimestre de 2007, período em que a economia portuguesa cresceu também 2,8%.

O INE indica que, quanto à variação homóloga, "esta aceleração resultou do maior contributo da procura externa líquida, que passou de negativo para positivo", traduzindo o aumento mais acentuado das exportações do que o das importações, ao passo que a procura interna "manteve um contributo positivo elevado, embora inferior ao do trimestre precedente", registando-se uma "desaceleração do consumo privado e uma aceleração do investimento".

Comparando com o quarto trimestre de 2016, o PIB cresceu 1% entre janeiro e março, depois de no trimestre anterior ter registado um crescimento em cadeia de 0,7%.