O secretário-geral do PCP criticou esta quinta-feira a recente comissão parlamentar de inquérito ao furto de armas em Tancos, da iniciativa do CDS-PP, por se ter adiantado à justiça, acusando ainda os democratas-cristãos de terem "duas caras".

Por se tratar de um assunto de Estado, Jerónimo de Sousa, num palanque alternativo e já fora do palco do comício noturno da campanha das legislativas da CDU, que junta comunistas e ecologistas, fez uma declaração aos jornalistas, sem espaço para perguntas, sobre a polémica do processo judicial e acusações hoje conhecidas, nomeadamente do ex-ministro da Defesa Nacional Azeredo Lopes em virtude de eventual encobrimento da operação de recuperação do material de guerra.

Se tivesse sido feito o que o PCP defendeu, a situação teria sido diferente. Ou seja, primeiro concluir a investigação e só depois criar a comissão de inquérito. Ninguém nos acompanhou nesta posição, incluindo o CDS. Não temos duas caras como o CDS", afirmou.

Para o líder comunista, "havendo condenação, há outro facto que tem de ser apurado: se o ex-ministro prestou ou não falsas declarações perante a comissão de inquérito", sem nunca se referir às atuações do primeiro-ministro, António Costa, ou do presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, em todo o caso.

Seja qual for o governo, seja do PSD/CDS ou do PS, a justiça tem de ter condições para trabalhar e apurar todas as responsabilidades. Ninguém pode esconder gravidade do que está em causa. Apurem-se todas as responsabilidades, em particular as que resultam das gravíssimas acusações que são imputadas ao ex-ministro da Defesa. A justiça deve decidir", defendeu.