O secretário-geral do PCP disse, esta sexta-feira, que "está nas mãos do PS impedir que o Governo caia". Jerónimo de Sousa avisou António Costa que não vai apoiar propostas de Orçamento do Estado que passem pelo caminho da austeridade.

Olhamos para o documento, estudamo-lo, refletimos e dizemos se estamos de acordo ou se estamos em desacordo. E nunca por nunca nós abdicamos da palavra dada. E é essa a nossa disposição em relação ao orçamento suplementar e em relação ao Orçamento do Estado para 2021, que vamos começar a apreciar em junho ou julho”, assinalou, em entrevista ao Diário de Notícias.

Apesar de assinalar que “o PCP reage sempre em função dos conteúdos e documentos concretos”, Jerónimo salientou que, “no que for bom para o povo, para os trabalhadores, pode o PS estar convicto de que pode contar com o PCP”.

Naquilo que acharmos que é negativo, seja no plano nacional, seja no plano da UE [União Europeia], nós não acompanharemos”, garantiu.

Em relação ao confinamento imposto pela pandemia de Covid-19, e ao dever de recolhimento dos idosos por serem um grupo de risco, Jerónimo considerou que “se estabeleceu uma pressão tremenda e inaceitável, com base na certidão de nascimento” e defendeu que “não pode haver um critério, uma imposição sobre os mais velhos, com consequências que ainda estão por avaliar”.

A nível geral, o comunista entende que “havia medidas sanitárias que era preciso, de facto, pôr em prática, mas muitas vezes as recomendações transformaram-se em imposições sem nenhuma base legal e isso tem reflexos na atividade política, que chegou ao ponto de ser olhada de mau modo”.

Questionado se houve abusos na limitação de alguns direitos, liberdades e garantias durante o estado de emergência, Jerónimo de Sousa respondeu afirmativamente, e salientou que essa situação afetou particularmente os trabalhadores, apontando que “o estado de emergência serviu, não para salvaguardar a saúde dos portugueses, mas para transformar a dificuldade numa oportunidade para muitos”.

Em entrevista ao Diário de Notícias, o líder comunista afirma que o país precisa de um Serviço Nacional de Saúde universal e gratuito, acrescentando que o setor de saúde privado não esteve à altura dos desafios provocados pela pandemia de Covid-19.

Admitindo que são necessárias medidas de proteção às empresas e aos trabalhadores, o secretário-geral do PCP afirma ter "uma grande dificuldade em compreender que cerca de 500 empresas que recorreram ao lay-off" [tenham apresentado] lucros fabulosos".

Ainda hoje [sexta-feira] ouvir o dirigente da CIP dizer 'isto do lay-off tem de continuar'", acrescentou.

Para Jerónimo de Sousa, o lay-off é um processo que não pode continuar "meses sem fim".

Uma situação excecional não pode transformar-se num ato banal, porque é da vida das pessoas que estamos a falar", disse.

Relativamente ao aumento da popularidade dos partidos de extrema-direita em Portugal, Jerónimo de Sousa refere que a melhor forma de combate é resolver os problemas que alimentam o seu discurso.

António Guimarães / com Lusa - Atualizada às 12:39