O secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, rejeitou esta segunda-feira fazer "um caso" das relações familiares no Governo, avisando que transformar estes momentos na questão central da vida política, resulta em que se derive daquilo que é fundamental.

No final de uma reunião, na sede do PCP, com o Sindicato dos Trabalhadores do Comércio, Escritórios e Serviços de Portugal, Jerónimo de Sousa foi questionado sobre o facto de PSD e BE, nos últimos dias, terem colocado na agenda política e mediática as relações familiares entre membros do Governo.

Nós temos uma posição de fundo em relação a quem vai para o Governo, que é saber o que é que vai fazer e que políticas é que vai exercer e concretizar. Isto é que é fundamental. Agora fazer das relações familiares no Governo um caso, um facto, naturalmente a tendência, depois, é para derivar daquilo que nós consideramos fundamental", avisou.

O líder comunista rejeita assim colocar esta questão "do facto ou do ato", uma vez que há outras preocupações que devem determinar o posicionamento do partido.

Toda a força agora para discutir a legislação laboral, toda a força para continuar esta senda de avanços, com prejuízo, naturalmente, de casos ou de factos", concretizou.

Jerónimo de Sousa recusou contabilizar o número de ligações familiares.

Em relação a remodelações e entrada de novos ministros, acompanharemos a sua ação, a sua intervenção e que política pratica. Não acompanhamos esses momentos que transformam isto como a questão central da nossa vida política nacional. Não é", insistiu.

Para o líder comunista, o "que pode levar à crítica do próprio Governo" é, por exemplo, a questão da legislação laboral.

Tivemos este encontro com o sindicato com base num convite que fizemos, tendo em conta a aproximação do desfecho das alterações à legislação laboral. Uma proposta em que o PS, com PSD e CDS, despejou o acordo de concertação social que no essencial, em alguns casos, vem agravar a situação laboral em muitos e muitos setores", criticou.

/ BM