O secretário-geral do PCP justificou esta sexta-feira que a realização do congresso comunista em Loures serve para mostrar que o partido não se resguarda por “egoísmo” quando os trabalhadores se expõem nos seus locais de trabalho.

Na abertura do congresso, no Pavilhão Paz e Amizade, em Loures, com metade dos delegados do que antes previsto, devido à pandemia de covid-19, Jerónimo de Sousa insistiu na garantia das condições sanitárias para a realização da reunião.

Este é o congresso de um partido, disse, que “não se dá ao privilégio e ao egoísmo para se resguarda, enquanto centenas de milhares de trabalhadores estarão nos seus locais de trabalho todos os dias, resistindo à intensificação da exploração a pretexto da epidemia e têm que utilizar transportes”.

Jerónimo “cava” divergências com políticas do PS

O secretário-geral do PCP usou ainda o discurso na abertura do XXI congresso para fazer a defesa da estratégia do partido e “cavar” diferenças com o PS, cujas “opções de classe” associou à direita.

Jerónimo de Sousa falou ininterruptamente durante uma hora e dez minutos, defendeu os resultados do período da “geringonça”, apesar de “limitados”, e fez um ataque ao PS, que responsabilizou por não ter sido possível ir “mais longe” em políticas e medidas durante os quatro anos de entendimento à esquerda, de 2015 a 2019.

Porque o PS continuou amarrado a opções de classe que limitaram o alcance e extensão da resposta que seria necessária”, afirmou.

A culpas são, igualmente, do PS de António Costa por se manterem “opções essenciais da legislação laboral, a não recuperação pelo estado de setores estratégicos, que têm estado presentes em décadas de política de direita”, acusou.

Jerónimo queixa-se de “ofensiva anticomunista” e anuncia mais 1.500 militantes

O secretário-geral do PCP anunciou esta sexta-feira a adesão de mais 1.500 militantes, em resultado de uma campanha, admitiu que as entradas não compensaram as saídas e queixou-se uma “ofensiva reacionária e anticomunista”

Jerónimo de Sousa afirmou que o partido enfrentou, nos últimos tempos, uma “ofensiva reacionária e anticomunista”, em que “os inimigos dos trabalhadores” pretendem “atacar, enfraquecer e destruir o partido”.

De seguida, num discurso em que insistiu nos princípios e identidade marxista-leninista do partido, admitiu que é preciso “superar insuficiências” e falou nas adesões ao partido.

Há uma “redução do efetivo partidário” nos últimos quatro anos, as entradas não compensaram as saídas, havendo a registar a entrada de 1.500 novos militantes.

Jerónimo de Sousa terminou o discurso com a defesa de “um partido mais forte e mais influente”.

/ LF - Notícia atualizada às 12:40