O líder do PCP, Jerónimo de Sousa, considerou hoje “importante e relevante” a audição parlamentar de José Júlio Pereira Gomes, escolhido para chefe das "secretas", escusando-se a “fazer juízos de valor antecipados” sobre a pessoa.

Eu não queria fazer juízos [de valor] antecipados. Por isso, acho que é importante e relevante, em sede de Assembleia da República, que haja esse aclaramento e transparência em relação à situação que está denunciada”, afirmou.

Jerónimo de Sousa frisou que o PCP vai participar nas audições que antecedem a nomeação do novo secretário-geral das "secretas", nas quais, defendeu, ser necessário “o esclarecimento de situações que são referidas na comunicação social”.

Estamos a falar do serviço de informações em que, do ponto de vista do PCP, é necessário uma desgovernamentalização e que a Assembleia da República assuma as suas responsabilidades de fiscalização”, realçou.

Questionado se a nomeação de José Júlio Pereira Gomes não devia ocorrer apenas depois de ter prestado esclarecimentos, Jerónimo admitiu que “seria avisado por parte do Governo e da própria pessoa que existisse essa clarificação e transparência”.

O secretário-geral comunista falava aos jornalistas no final de uma visita no Centro Interpretativo do Tapete de Arraiolos, naquela vila do distrito de Évora, após ter sido recebido na câmara e depois de uma passagem por Mora, no mesmo distrito.

O Público noticia hoje a apreensão do PSD com a escolha de Pereira Gomes para chefe do Sistema de Informações da República Portuguesa (SIRP).

Esta semana, ao DN, a eurodeputada do PS Ana Gomes já tinha demonstrado preocupação pela nomeação de José Júlio Pereira Gomes para chefe das ‘secretas’.

Ao DN, Ana Gomes assumiu que ficou “muito surpreendida e apreensiva”, porque, “não estando em causa o percurso profissional, falta a Pereira Gomes o perfil psicológico”.

“Tenho dúvidas de que o embaixador Pereira Gomes tenha capacidade para aguentar situações de grande pressão. Não inspira confiança e autoridade junto dos seus subordinados nos serviços de informações”, referiu a eurodeputada, adiantando que já informou “quem de direito” do porquê da sua "apreensão”.

Posteriormente, num artigo de opinião no Público, o jornalista Luciano Alvarez, falou também da passagem do embaixador por Timor-Leste em 1999.

Questionado pelo Público sobre se mantém a decisão de nomear o novo chefe do SIRP, o primeiro-ministro, António Costa respondeu: “A proposta de indigitação fala pela confiança que tenho no embaixador José Júlio Pereira Gomes para o desempenho das funções para que agora é proposto”.

Jerónimo de Sousa realçou que o SIRP pertence um tipo de “serviços muito sensíveis”, referindo que “é necessário que esses serviços correspondam e respeitem a Constituição da República Portuguesa”.

Perante a insistência dos jornalistas, o secretário-geral comunista voltou a recusar “fazer juízos de valor antecipados”, mas advertiu que a Assembleia da República “não devia delegar no Governo apenas essa confiança”.

“Procure-se a transparência e a clarificação e emita-se uma opinião política”, disse, considerando que não se trata de “uma questão meramente pessoal, embora a pessoa tenha importância para uma tarefa desta responsabilidade”.