O primeiro-ministro, José Sócrates, acusou este sábado os sindicatos afectos à CGTP-IN de se deixarem instrumentalizar pelos interesses eleitorais do PCP e do Bloco de Esquerda, queixando-se também do facto das manifestações se limitarem ao insulto pessoal, informa a Lusa.

José Sócrates respondia aos jornalistas no final de três dias de visita oficial a Cabo Verde, depois de ter sido confrontado pelos jornalistas com a manifestação da CGTP-IN, na véspera, em Lisboa, que os sindicatos dizem ter contado com a participação de cerca de 200 mil pessoas.

«Não quero discutir o número de participantes, até porque o número não é argumento. Lamento mas discordo dos dirigentes sindicais que organizam manifestações desse tipo, porque não é solução para nenhum dos problemas», começou por reagir José Sócrates.

O líder do executivo defendeu que o seu Governo «fez reformas da maior importância» em áreas como as da Segurança Social, administração pública e educação.

«Lamento que estas reformas não tenham sido acompanhadas pelos sindicatos, mas era preciso fazê-las», disse, numa alusão a alguns dos motivos de protesto inerentes à manifestação da CGTP-IN.

Neste contexto, José Sócrates acusou os sindicatos de não terem contraposto argumentos positivos e alternativos face aos do Governo. «Lamento que nessas manifestações não existam argumentos, mas apenas acusações e insultos.

Lamento que organizações sindicais se limitem ao insulto e ao insulto pessoal, chamando-me mentiroso. Há quatro anos que não fazem outra coisa que não seja chamar mentiroso ao primeiro-ministro. Acho que isso não é um grande argumento a favor das suas teses», frisou.

Sócrates acusou ainda as organizações sindicais de se «deixarem instrumentalizar» na convocação de manifestações contra o Governo «pelo PCP e Bloco de Esquerda».

«Isso não é positivo, porque acho que as organizações sindicais devem fazer manifestações para defender os interesses dos seus associados e não para defender os interesses de partidos que vão concorrer a eleições dentro de seis meses», afirmou o primeiro-ministro.