O PS acusou hoje o Governo de ter delineado um Orçamento do Estado para 2013 «devastador» para os portugueses e de insistir, «por teimosia», numa receita «alhada», obrigando os contribuintes a pagar pelo erro.

«A ser verdade isto, estamos a falar de uma distribuição devastadora de esforços sobre praticamente todos os portugueses. Estamos a falar de desempregados, doentes, pensionistas, trabalhadores da classe média e classe média baixa, funcionários públicos, todos a pagarem em dobro a insistência teimosa na receita que falhou este ano», disse à agência Lusa o deputado socialista Pedro Marques.

Para o antigo secretário de Estado da Segurança Social do Governo de José Sócrates, o Executivo prepara-se para aplicar sobre os rendimentos dos portugueses «um espetro enorme de devastação fiscal», pedindo-lhes que paguem pelos erros da estratégia seguida.

«Nós já sabíamos que os portugueses iriam pagar em 2013 cerca de 2.500 milhões de euros só para corrigir os falhanços e desvios deste ano, mas agora sabemos que vamos pagar pelo menos outro tanto para pagar a insistência no erro. Este é um esforço devastador que está a ser pedido novamente aos portugueses», acusou.

Questionado sobre as críticas patentes no relatório da Comissão Europeia à quinta avaliação ao programa externo de ajuda financeira, no qual Bruxelas lamenta as fissuras no consenso político em Portugal, Pedro Marques afirmou que, do ponto de vista do PS, não há ¿nenhuma possibilidade de dar consenso¿ ao caminho que está a ser seguido.

«Este caminho está apenas a afundar o país e a submergi-lo numa recessão económica profundíssima e nós daremos luta democrática a este caminho», assegurou o deputado do PS, sublinhando que as fissuras de que fala a Comissão Europeia são sobretudo visíveis dentro da própria coligação governamental (PSD/CDS-PP).

«Há muito mais do que fissuras. Mesmo dentro da própria coligação existe uma fissura profundíssima. O Governo, com a sua atitude, a começar há uns meses atrás com o documento de estratégia orçamental, seguindo-se aquela medida desgraçada da TSU [Taxa Social Única] e com todo o recuo que lhe esteve associado, provocou fissuras até dentro da sua própria casa», disse.

A versão preliminar do Orçamento do Estado para 2013, conhecida na quinta-feira, prevê, entre outros, um corte de 6% no subsídio de desemprego e de 5% no de doença, subidas no IRS e cortes nas pensões.

A versão resulta da reunião do Conselho de Ministros de quarta-feira e trata-se de um documento que ainda pode ser alterado.

A proposta de Orçamento deverá ser entregue no Parlamento na segunda-feira, dia 15 de outubro.
Redação