O fundador do partido Aliança, Pedro Santana Lopes, considerou este sábado um desafio “especial”, mas “sem pieguices”, o congresso do partido que arrancou em Évora. Santana Lopes manifestou-se “virado para o presente e para o futuro”.

É especial, é muito especial, mas sem pieguices, sem pieguices. Mas com certeza que dá alguma emoção”, afirmou o líder do Aliança, em declarações aos jornalistas, à entrada para o congresso fundador do partido.

Questionado se tem alguma nostalgia do PPD/PSD, partido que chegou a liderar e do qual saiu em agosto do ano passado para, depois, criar o Aliança, Santana Lopes disse que não.

Gosto de honrar todos aqueles com quem partilhei combates e respeitá-los e, por isso, ninguém me ouve, nem ouvirá, dizer mal das ‘casas’ onde já estive”, afirmou, frisando que, agora, está “todo virado para o presente e para o futuro”.

Para o líder do partido, “cada novo desafio” acarreta “uma responsabilidade maior” e “construir algo de novo é fascinante, mas é uma exigência muito grande”.

“É mais cómodo, talvez, estar numa instituição grande, que já existe” e “que tem tudo ou quase tudo”, comparou. Mas “também é mais bonito ainda”, argumentou Santana Lopes, que disse gostar de ver a intervenção política “pelo lado mais bonito”.

A corrupção, a falta de respeito pelos mandatos, o esquecimento das promessas, os combates estéreis, esse é o lado feio da política e da vida”, afirmou.

Por outro lado, “o lado bonito da política é sermos capazes de lutar por aquilo em que acreditamos”, pelas “nossas convicções”, acrescentou.

Questionado pelos jornalistas sobre o Aliança não corre o risco de se tornar o partido dos desencantados, Santana Lopes rejeitou tal ideia.

Não, vai ver neste congresso um partido de gente encantada com as suas convicções e com o presente e o futuro."

 

Congressistas aprovam estatutos e regulamento eleitoral do partido

O primeiro Congresso Nacional do partido Aliança arrancou este sábado, em Évora, às 10:53.

Eram exatamente 10:53 quando a reunião foi oficialmente aberta pela presidente da mesa, Ana Costa Freitas: “Este congresso marca oficialmente o nascimento de um novo partido político”.

Apontando que na Europa estão a aparecer partidos e movimentos extremistas, a presidente da Mesa do Congresso aproveitou para vincar que o “Aliança não é um partido extremista, é um partido democrático”.

Ana Costa Freitas, que é reitora da Universidade de Évora, disse também aos presentes que “todos têm o direito de falar”, e que cada orador dispõe de três minutos para a sua intervenção.

Pedro Santana Lopes foi recebido com palmas e uma plateia em pé.

O congresso aprovou, por unanimidade, os estatutos, a declaração de princípios, o regulamento eleitoral e o símbolo do partido.

Depois da aprovação dos estatutos, Ana Costa Freitas, declarou que a Aliança “acabou de nascer”.

No texto, é indicado que o partido terá a sigla “A”, e é “inspirado nos princípios e valores do personalismo, liberalismo e solidariedade, no respeito pela Constituição da República Portuguesa, na dignidade da pessoa humana e na afirmação da vontade popular para a construção de uma sociedade mais livre, mais justa e mais solidária”.

De acordo com os estatutos do partido, o “símbolo constitui-se pela palavra ‘Aliança’ em cor azul escrita em itálico e em maiúsculas, composta com cedilha no ‘C’ em forma de triângulo de cor cinzenta”.

Já a declaração de princípios indica que a Aliança “assenta a sua matriz em três eixos fundamentais: personalismo, liberalismo e solidariedade”.

Após as votações, um dos congressistas perguntou se poderia propor uma alteração, mas a presidente da mesa remeteu esse pedido para outro momento, indicando que os documentos seriam postos à votação como estavam escritos.

O partido  vai te um novo site, uma plataforma que servirá para se apresentar aos cidadãos e também comunicar com as pessoas. O novo site, que estará disponível a partir do dia 14 de fevereiro, pretende abrir “um novo ciclo de comunicação”, que seja “completamente disruptivo”.

Não basta informar, queremos saber de si”, ouviu-se no vídeo promocional que foi dado a conhecer aos presentes no congresso.

O partido vai disponibilizar ainda o “alerta Aliança”, onde a população poderá denunciar situações.

No arranque do congresso fundador, a sala estava quase cheia, com duas filas de mesas compridas, ornamentadas com panos azuis claros, onde estão sentados cerca de meio milhar de delegados.

O congresso termina no domingo com a eleição dos órgãos nacionais e a intervenção do presidente eleito.

/ SS - atualizada às 14:28