Todos os membros propostos pela lista encabeçada por Pedro Santana Lopes para os órgãos da Aliança foram eleitos, este domingo, no primeiro congresso do partido, em Évora, tendo votado 372 dos 545 delegados do partido inscritos nos cadernos eleitorais.

Os resultados da votação para os órgãos nacionais do partido foram anunciados por António Capela, membro da Mesa do Congresso, perante os delegados presentes na Arena d’Évora, que minutos antes receberam Pedro Santana Lopes na sala a acenarem bandeiras do partido.

Dos 545 delegados inscritos nos cadernos eleitorais, votaram 372, tendo a Direção Política Nacional presidida e proposta por Santana Lopes recebido 356 votos válidos, 10 brancos e seis nulos.

A Mesa do Congresso, presidida pela reitora da Universidade de Évora, Ana Costa Freitas, recebeu 351 votos válidos, 13 brancos e oito nulos, enquanto o Senado teve 343 votos válidos, 22 brancos e sete nulos.

Já para a Comissão Jurisdicional, foram contabilizados 346 votos válidos, 17 brancos e nove nulos, tendo o Gabinete de Auditoria recebido 350 votos válidos, 15 em branco e sete nulos.

Pedro Santana Lopes escolheu quatro nomes do PSD, dois professores universitários e a advogada da cantora Madonna para serem os seus braços direitos na direção do partido Aliança, como vice-presidentes.

Depois do fundador desta força política ter assinalado no seu discurso de sábado que a Aliança não é um partido de um homem só, foram hoje dados a conhecer os nomes que o acompanharão nos próximos três anos.

Além de Pedro Carvalho Cirilo (antigo secretário-geral adjunto do PSD) como diretor executivo (o equivalente ao secretário-geral noutras forças políticas), também antigo dirigente do PSD, a Direção Política Nacional contará com sete vice-presidentes – Ana Pedrosa-Augusto, António Martins da Cruz, Bruno Ferreira Costa, Carlos Pinto, Carlos Poço, João Borges da Cunha e Rosário Águas.

O embaixador António Martins da Cruz foi ministro dos Negócios Estrangeiros do XV Governo Constitucional, chefiado por Durão Barroso, entre 2002 e 2003.

Rosário Águas, que, nos governos PSD, foi secretária de Estado da Habitação (2003-2004), da Segurança Social (2004) e da Administração Pública (2004-2005), ocupa outra das da vice-presidências, assim como o antigo presidente social-democrata da Câmara da Covilhã, Carlos Pinto.

Também o antigo deputado à Assembleia da República e ex-presidente da concelhia de Leiria do PSD, Carlos Poço, será um dos “vices” da Aliança.

Ana Pedrosa-Augusto, 38 anos, é advogada e representa a cantora Madonna, que recentemente passou a residir em Lisboa.

Apesar de não querer falar dos seus clientes, a dirigente assumiu-se como “exatamente a mesma pessoa” que sempre foi, uma “advogada que agora integra este projeto novo”, mas “sem nunca deixar de ser” o que é.

Como eu nunca fui militante, nunca fui simpatizante, nunca tive qualquer atividade política, acho que, pelo menos, trago ou tenho a possibilidade de trazer um olhar de quem não tem nada a ver com isto nem com este meio”, contou à agência Lusa Ana Pedrosa-Augusto, referindo que vê a Aliança como “um novo desafio, uma nova missão”.

O que a atraiu na Aliança foram os valores que o partido defende, o facto de o partido se assumir como “liberal, personalista e solidário”.

Bruno Ferreira Costa é professor de ciência política na Universidade da Beira Interior. Antes da Direção Política, passou também pela Comissão Instaladora do partido.

À Lusa, afirmou que aderiu à Aliança em setembro “logo na fase inicial”.

Foi naturalmente com muita satisfação que recebi o convite para ser um dos candidatos a vice-presidente da Direção Política Nacional”, referiu.

Por isso, aceitou o desafio “com muito orgulho, com muito entusiasmo”, acreditando estar a construir “um partido novo, um partido que sabe a ousa fazer diferente e que, acima de tudo, se preocupa com Portugal”.

 

Santana Lopes defende que "todos devem ter o seu seguro de saúde"

No encerramento do I Congresso do partido, Santana Lopes defendeu a generalização dos seguros de saúde para todos os portugueses, considerando "insustentável que só os ricos possam aceder ao sistema privado".

Todos devem ter o seu seguro de saúde."

Pedro Santana Lopes recordou que cerca de metade dos portugueses não têm sequer rendimentos que lhe permitam pagar IRS, pelo que no acesso aos seguros de saúde "precisam de ser apoiados".

É preciso "mudar a estrutura de financiamento do Serviço Nacional de Saúde", acentuou o presidente da Aliança e ex-primeiro-ministro, concluindo: O SNS, assim como está, não dá".

"Temos de generalizar os seguros de saúde", preconizou, numa altura em que os partidos políticos debatem no parlamento a lei de bases da saúde, concluindo que "é insustentável que só os ricos possam escolher entre o serviço público e o serviço privado de saúde".