O líder do partido Aliança, Pedro Santana Lopes, considerou este domingo que “é sempre difícil” fazer listas, tarefa da qual foge “como o diabo da cruz”, mas salientou estarem representadas todas as regiões do país na sua proposta.

“É de longe a melhor lista” para o partido, afirmou Pedro Santana Lopes, à chegada ao congresso, antes de votar, quando questionado pelos jornalistas sobre a sua lista aos órgãos da Aliança, a única que esteve em votação.

Quase “em cima” da hora do fecho da votação, prevista para as 11:00, o líder da Aliança chegou à Arena d’Évora, onde os delegados ao congresso votavam na lista “A” desde as 09:00. “Refugiou-se” dos “olhares” dos jornalistas e, às 10:58, depositou os seus votos numa das urnas.

Eu odeio fazer listas, eu fujo como o diabo da cruz de fazer listas, há sempre injustiças”, confessou aos jornalistas, logo a seguir a votar, frisando: “É sempre difícil, há sempre quem fique aborrecido”.

Mas, segundo Santana Lopes, na lista que apresentou aos órgãos nacionais do partido que fundou “respeitou-se o princípio, que aliás está nos estatutos, da representação de todas as regiões do país”.

“No Senado há 30 eleitos e dois por cada distrito e três por cada região autónoma. Na Direção Política Nacional há dois por cada região plano, além do presidente e dos vice-presidentes e do diretor executivo”, exemplificou.

Segundo Santana Lopes, “isto é inédito, com franqueza”, mas, à semelhança do sistema norte-americano, em que “cada estado federado tem dois representantes independentemente do número da população”, esta solução “permite assegurar a participação das zonas mais desprotegidas” do país nos “centros de decisão” da Aliança.

Nas suas declarações aos jornalistas, o fundador do partido frisou também que procurou “assegurar a chamada intergeracionalidade” no partido e apelou a “uma maior participação das mulheres na vida política”.

Além disso, deixou um recado para os jovens: “A Aliança agora vai começar a trabalhar na sua academia, na Aliança Jovem, muito virada para a formação, mas abrindo as portas aos jovens”.

 

Santana solidário com vítimas de violência doméstica

Santana Lopes manifestou solidariedade para com as vítimas de violência doméstica, “drama que tem assolado” Portugal, e defendeu ser “bom que todas as forças políticas se associem” a este combate.

Permitam-me dar uma palavra à solidariedade para com as vítimas e as famílias das vítimas da violência doméstica, esse drama que tem assolado o nosso país”, disse aos jornalistas.

O combate à violência doméstica, segundo o líder da Aliança, é “um dos assuntos que deve estar mais na mente dos decisores políticos”.

E seria uma irresponsabilidade se assim não fosse. Sei que o Governo já tomou iniciativas nesse domínio, nos últimos dias, e é bom que todas as forças políticas se associem nessa causa nacional”, defendeu.

Trata-se de uma temática, “para o qual todos somos convocados a contribuir, com todas as nossas energias, pela palavra, pelas ações, pelas decisões”, acrescentou.

E “para, nem gosto de dizer minorar, mas para erradicar esse fenómeno na sociedade, onde é tão triste ver que isso continua a acontecer”, frisou.

PSD, PS, BE, CDS-PP, PCP, PEV e PAN, todos se mostram preocupados e a trabalhar no Parlamento para combater a violência doméstica, fenómeno que já matou nove mulheres e uma criança só no último mês.

O tema foi mesmo abordado no último debate quinzenal com o primeiro-ministro (na quarta-feira) e no dia seguinte o Governo (Administração Interna, Justiça e Presidência), reuniu-se com a Procuradora-Geral da República e forças de segurança "para aperfeiçoar a resposta a dar" ao problema.

 

Santana defende que "todos devem ter o seu seguro de saúde"

Santana Lopes também defendeu a generalização dos seguros de saúde para todos os portugueses, considerando "insustentável que só os ricos possam aceder ao sistema privado".

Todos devem ter o seu seguro de saúde", defendeu o líder da Aliança no encerramento do I Congresso do partido.

Pedro Santana Lopes recordou que cerca de metade dos portugueses não têm sequer rendimentos que lhe permitam pagar IRS, pelo que no acesso aos seguros de saúde "precisam de ser apoiados".

É preciso "mudar a estrutura de financiamento do Serviço Nacional de Saúde", acentuou, concluindo: O SNS, assim como está, não dá".

"Temos de generalizar os seguros de saúde", preconizou, numa altura em que os partidos políticos debatem no parlamento a lei de bases da saúdem concluindo que "é insustentável que só os ricos possam escolher entre o serviçe público e o serviço privado de saúde".