Pedro Santana Lopes, fundador do Aliança e ex-líder do partido, assumiu, esta noite, em entrevista a Miguel Sousa Tavares, no Jornal das 8 da TVI, que não fundou o Aliança apenas para poder ser presidente.

A vida política para mim, e ao contrário do que muitos pensam, não é uma forma de vida. Sempre adorei a intervenção política. Mas, graças a deus, tenho a minha vida organizada. Não fundei o Aliança para ser presidente do Aliança", garantiu, não considerando que a sua saída represente o fim da sua carreira política.

"As carreiras políticas só acabam quando desistimos de lutar pelo nosso país. O que fiz foi fazer o que a consciência me ditava. Às vezes fazemos isso e corre bem, às vezes fazemos isso e não corre bem", justificou.

Santana Lopes considerou que "sem televisão não há partidos", sendo este um dos motivos que explicam, na sua opinião, o pouco eleitorado do Aliança. O outro, sublinhou, é a cada vez maior notoriedade dos partidos "mais radicalizados".

Estamos numa época em que isto está mais para os partidos dos extremos", defendeu.

Apesar de tudo, o regresso ao PSD não está no seu horizonte.

Acho que fiz bem [ter saído]. Eu não tenho vergonha nenhuma de me arrepender, de reconhecer quando faço mal. Agora, eu sei porque é que saí. Eu achei que o PSD ia voltar outra vez para os braços de um sonho com o bloco central. E continuo a achar isso, acho que o tempo vai dar-me razão. É um caminho com o qual não concordo. Estamos numa hora em que o centro-direita tem de fazer um 'rassemblement' [unir-se, na tradução literal], tem de procurar novos protagonistas", afirmou.

No entanto, Santana Lopes admitiu que o seu centro-direita aparenta ter cada vez menos espaço político.

Continuo a considerar-me de centro-direita, mas isto hoje em dia é muito dicotómico, é direita ou esquerda. Criei um partido liberal, personalista e solidário, solidário porque considero impensável defendermos um liberalismo puro numa sociedade como esta."

Questionado sobre o facto de haver elementos do Aliança que se estão a mudar para o Chega, Pedro Santana Lopes recusou partilhar a mesma família política, não rejeitando, porém, a possibilidade de uma coligação entre partidos, se fosse necessária.

Uma coisa é o que eu penso do Chega e das ligações à Marine Le Pen, ao Salvini, não tenho nada a ver com isso e não consigo estar na mesma família política em que eles estejam. Eu quando vejo o André Ventura naquele papel, algo me diz que ele está a ser arrastado por uma onda, que aquilo não é ele próprio. Outra coisa é o centro-direita poder ter de se coligar. Eu admito coligações à direita."

A terminar, um arrependimento na sua longa carreira política.

Se voltasse atrás não teria aceite substituir Durão Barroso nos termos em que isso aconteceu. Levou, de facto, a um tempo de muitas tensões. Foi uma opção errada, mas procuro fazer sempre o melhor."

Catarina Machado