O antigo primeiro-ministro Pedro Santana Lopes entregou esta quarta-feira “mais de 12 mil assinaturas” no Tribunal Constitucional para iniciar o processo de formalização do novo partido Aliança, que quer entre “os maiores partidos da política portuguesa”.

A Aliança nasce para concorrer a todos os atos eleitorais e nasce não para ter um dígito, nasce para ganhar um lugar entre os maiores partidos portugueses, isso exige muito trabalho, falar muito com as pessoas”, afirmou Santana Lopes, em declarações aos jornalistas, depois de entregar as assinaturas.

Questionado se entende, como disse a líder do CDS, Assunção Cristas, que a Aliança pode somar votos ao espaço de centro-direita, o ex-líder do PSD respondeu: “A líder do CDS tem feito análises bem lúcidas nesta matéria”, realçando que “há um desequilíbrio no número de forças políticas à esquerda e no centro direita”.

Se tiver no mercado eleitoral, em vez de duas ofertas, três ofertas válidas, há condições para esse espaço político conseguir mais votos do que só com duas”, afirmou, manifestando intenção de ir conquistar eleitores à abstenção.

Com caras conhecidas

Sem nunca falar do líder do seu antigo partido, Santana Lopes chegou ao Tribunal Constitucional antes das 16:00 acompanhado de várias pessoas da sua estrutura, entre os quais duas caras conhecidas da social-democracia: o antigo autarca da Covilhã Carlos Pinto e a antiga secretária de Estado da Habitação Rosário Águas, que se desfiliaram recentemente do PSD para integrar este projeto.

A minha preocupação não é o PSD, o CDS ou outros partidos. A minha questão é formar a identidade da Aliança. Não queremos ser sucedâneos ou sucessores de nenhuma outra instituição”, salientou, interrogado se irão aparecer mais figuras do seu anterior partido na Aliança.

Questionado se o atual presidente da Câmara do Porto, Rui Moreira, poderá ser o cabeça de lista do partido às eleições europeias, Santana elogiou as suas qualidades, mas disse que esse assunto não foi abordado entre os dois.

O antigo líder do PSD – que se desfiliou do partido no início de agosto – sublinhou não querer o título de “oposição mais agressiva”, mas da “que tem as melhores propostas para os portugueses”, apontando preocupações na área da saúde ou das prisões, por exemplo.

Se quiserem pôr um rotulo na Aliança é: menos impostos, e por isso o Estado tem de consumir menos percentagem da riqueza nacional”, defendeu, manifestando a sua discordância com medidas como a distribuição de manuais gratuitos “para todos”, independentemente da condição económica.

"Está no seu direito"

Reagindo à criação da nova força política, o presidente social-democrata, Rui Rio, admitiu que, embora “não concordando” com a posição de Pedro Santana Lopes, o ex-líder do PSD está “no seu direito” ao fundar o partido Aliança.

Tudo o que tenho a dizer sobre a saída do doutor Santana Lopes do PSD eu já falei. Não foi muito, mas é o pouco que me oferece dizer. Embora não concordando, olho para a posição do doutor Santana Lopes de sair do partido com respeito. Está no seu direito”, sustentou, em declarações aos jornalistas à margem da reunião do Partido Popular Europeu, em Salzburgo, na Áustria.

Antes, numa primeira reação, o presidente do PSD, Rui Rio, classificou a criação da Aliança por Santana Lopes como “o concretizar de um sonho” do antigo primeiro-ministro e desvalorizou os efeitos que poderá ter nos resultados eleitorais do seu partido.

Se o PSD quiser ganhar eleições, não é na direita, ali a combater a Aliança ou o CDS-PP para ir buscar um ou dois por cento (…). Onde ganha é ao centro, onde exatamente está a abstenção”, sublinhou.

Mais tarde, no programa Bloco Central da TSF, Rio elogiou até a frontalidade” de Pedro Santana Lopes: “Posso discordar dele ter saído, podemos até achar que é incoerência, candidatou-se a líder e depois sai. Mas, há pelo menos uma frontalidade, sai e agora está legitimado para criticar”.