A vice-presidente do PSD Paula Teixeira da Cruz defendeu esta terça-feira que o Procurador Geral da República deve «tirar as consequências dessas suas declarações e quem o propõe para efeitos de nomeação», mas escusou-se a pedir directamente a sua demissão.

Em declarações à Lusa, Paula Teixeira da Cruz sublinhou que os «poderes que o Procurador-Geral da República (PGR) tem são aqueles que já sabia que teria».

«Se o PGR não tinha de facto consciência das suas competências quando assumiu estas funções, se entende que não tem nenhuma capacidade de intervenção, então deve ser o PGR a tirar as consequências dessas suas declarações e quem o propõe para efeitos de nomeação», afirmou a vice-presidente social-democrata.

Questionada pela Lusa se esta afirmação implica um pedido de demissão do PGR, Paula Teixeira da Cruz negou, retorquindo que «é o PGR quem deve, em primeira linha, tirar consequências desse facto».

Para Paula Teixeira da Cruz, «sempre que há uma intervenção do PGR, ou das hierarquias que dependem directamente do PGR, a verdade é que nos temos deparado com situações muito pouco claras para a opinião pública».

Pelo que, acusa, o PGR «não tem sabido utilizar as suas competências, e quando as utiliza, utiliza-as erroneamente», o que «tem sido visível em alguns casos mediáticos».

A vice-presidente do PSD considerou também que o PGR tem «contribuído fortemente para a degradação da imagem da justiça em Portugal, o que é lamentável».

«Tenho os poderes da Rainha de Inglaterra»

Também o eurodeputado social-democrata Paulo Rangel defendeu hoje, em declarações à Lusa, que os poderes do Procurador-geral da República não são «tão poucos como ele faz crer» e que é a sua actuação que «nem sempre tem estado ao nível das exigências».
Redação / SM