O primeiro-ministro, António Costa, lamentou a morte do poeta e tradutor Pedro Tamen, lembrando-o como autor de "uma obra poética singular e de grande qualidade" e um “tradutor notável”, que “afrontou o conservadorismo do Portugal dos anos 60”.

Foi uma figura central na vida cultural portuguesa. Fez parte da prodigiosa geração de intelectuais de ‘O Tempo e o Modo’, que renovou o ambiente cultural e afrontou o conservadorismo do Portugal dos anos 60", escreveu António Costa, numa publicação na rede social 'Twitter'.

 

Recordando que Pedro Tamen foi administrador da Fundação Gulbenkian, o chefe do Governo apontou-o ainda como "autor de uma obra poética singular e de grande qualidade" e "um tradutor notável".

À sua família e amigos, envio sentidas condolências", termina.

As cerimónias fúnebres do poeta Pedro Tamen, que morreu na quinta-feira em Setúbal, onde estava hospitalizado, aos 86 anos, realizam-se sábado, apenas com a presença de familiares, devido às contingências da pandemia, disse a sua filha à agência Lusa.

Licenciado em Direito pela Universidade de Lisboa, Pedro Tamen notabilizou-se como poeta e tradutor, estreando-se em 1956, com a obra “Poema para Todos os Dias”.

Publicou oito títulos de poesia, entre eles “O Livro do Sapateiro”, que lhe valeu o Grande Prémio de Poesia da Associação Portuguesa de Escritores, em 2010, e o Prémio Casino da Póvoa/Correntes d’Escritas, em 2011.

A totalidade dos seus livros de poesia está reunida na obra "Retábulo das Matérias".

Pedro Tamen escreveu também teatro e traduziu autores como Gabriel Garcia Marquez, Reinaldo Arenas, Marcel Proust e Gustave Flaubert.

Foi chefe de redação do Jornal Encontro, dirigente cineclubista, professor no ensino secundário, diretor da Livraria Moraes Editora, dirigente da Associação Portuguesa de Escritores, e presidente do PEN Clube Português.

Fez crítica literária no jornal Expresso e colaborou em vários jornais e revistas em Portugal e no Brasil.

Pedro Tamen recebeu a Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique.

/ NM