O grupo municipal do Partido Ecologista “Os Verdes” (PEV) disse este sábado estar preocupado com a descarga de sucatas no terminal portuário do Poço do Bispo, em Lisboa, questionando a Câmara Municipal sobre o motivo desta operação.

Em causa está uma descarga de sucatas, transportadas por um navio oriundo da Rússia, que ocorreu no início de maio.

“Se descarga de sucatas já poderá levantar algumas reservas e preocupações num local alegadamente mais apropriado, essas reservas serão acrescidas se falarmos num local menos preparado para esse tipo de operações e sem ser operada por pessoal especializado”, lê-se num requerimento do PEV enviado ao presidente da assembleia municipal de Lisboa, José Maximiano Leitão.

Apesar de ressalvar que o assunto não é da responsabilidade direta da Câmara Municipal de Lisboa, o grupo vincou que a autarquia “não se pode demitir de obter as devidas informações e pugnar para que não haja riscos para a saúde pública e para o ambiente”.

Neste sentido, o grupo municipal do PEV questionou a autarquia sobre os motivos que levaram à descarga no terminal portuário do Poço do Bispo, em substituição do terminal portuário na zona industrial da Quimiparque, no Barreiro.

No documento, o PEV pergunta ainda se a autarquia sabe se foi detetado algum material radioativo decorrente da descarga e se estão previstas mais operações semelhantes naquele terminal.

“Em que condições foi efetuado o transporte das sucatas de Lisboa para a siderurgia nacional, considerando os riscos para o ambiente e para a saúde pública?”, questionou.

Em 04 de maio, o Sindicato dos Estivadores e Atividade Logística (SEAL) alertou o Ministério do Ambiente para a descarga de sucatas que por vezes apresentam índices de radioatividade no terminal portuário do Poço do Bispo.

O Ministério do Ambiente e Ação Climática (MAAC) garantiu, no entanto, que o "risco é reduzido" e que o “terminal [do Poço do Bispo] possui pórticos para deteção de radiação, ou seja, caso se encontre algum material radioativo nos camiões que transportarão a sucata metálica estes serão detetados à saída do terminal e o seu transporte cancelado”.

No mesmo dia, numa carta enviada ao Governo, o sindicato indicou que estava prevista uma descarga de sucatas, carregadas na Rússia, neste terminal portuário, em 06 de maio.

“Pese embora estes navios se façam acompanhar de `certificados´ de origem questionáveis, que atestam a inexistência na composição das sucatas industriais que cada navio transporta de materiais radioativos, explosivos, biológicos, ou outros, a verdade é que os camiões de transporte das mesmas são obrigados a passar em pórticos de deteção de radioatividade para entrarem na Siderurgia Nacional (SN)”, acrescentou a missiva.

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