Os 27 deputados do PSD e do CDS derrotaram esta noite os 26 eleitos do PS, CDU e Bloco de Esquerda (BE) na votação da moção de censura que os bloquistas apresentaram na Assembleia Municipal (AM) do Porto contra a política do executivo camarário presidido por Rui Rio, noticia a agência Lusa.

Na oposição registou-se uma baixa, a do socialista Jerónimo Ponciano, presidente da Junta de Freguesia de S. Nicolau, que não votou porque se atrasou por breves minutos. No entanto, mesmo com o seu voto, a esquerda não teria hipóteses, porque, nos casos em que há um empate nas votações, o presidente da Assembleia Municipal, o social-democrata Aguiar Branco, podia desempatar utilizando o seu voto de qualidade.

A isto acresce que as moções de censura aprovadas pelos deputados municipais não têm consequências para os executivos camarários, servindo apenas para uma força política vincar a sua oposição.

Foi o que BE procurou fazer com esta iniciativa, segundo explicou o seu líder na Assembleia Municipal do Porto, José Soeiro. Os bloquistas justificaram a sua posição num documento de duas páginas no qual concluem que «este executivo PSD/CDS-PP está transformado numa comissão liquidatária da cidade e dos próprios serviços camarários».

«Desamor pela cidade do Porto»

O motivo próximo da moção subscrita pelo BE foi a «entrega do Mercado do Bolhão à imobiliária de capitais holandeses TCN» pela coligação que dirige a autarquia portuense, o que no seu entender «é bem a imagem do seu desamor pela cidade do Porto».

O Bolhão não é caso único, de acordo com aquela força política. O Teatro Rivoli, o mercado Ferreira Borges e o Pavilhão Rosa Mota «estão ser subtraídos à fruição pública».

Com Rui Rio ausente, ele que foi o principal alvo das críticas da oposição, e ao cabo de pouco mais de uma hora de discussão, os deputados votaram então a moção de censura que o BE decidiu apresentar. O desfecho foi o que se esperava: a maioria PSD/CDS-PP impôs-se à oposição, constituída por PS, CDU e BE.
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