O partido PAN - Pessoas-Animais-Natureza reclamou esta segunda-feira ao Governo esclarecimentos sobre a eventual conversão da Galp de Matosinhos numa refinaria de lítio e perguntou se essa opção garante os postos de trabalho afetados pela descontinuação da refinação petrolífera.

Em comunicado, o PAN diz ter questionado o Ministério do Ambiente e da Ação Climática sobre as alegadas pretensões da Galp de reconverter a refinaria de Leça da Palmeira, em Matosinhos, distrito do Porto, numa refinaria de lítio e, “caso esta reconversão industrial se concretize, se o Governo vai garantir a reintegração dos trabalhadores agora afetados por este iminente despedimento”.

Apesar de ter sido veiculado na comunicação social um potencial interesse de reconversão para refinaria de lítio, “oficialmente não se conhecem quaisquer planos de reconversão de atividade, dos trabalhadores, ou projetos de recuperação ambiental”, refere o PAN, sublinhando que a unidade da Galp “tem acumulado passivos ambientais gravíssimos ao nível da contaminação de solos”.

O jornal Eco noticiou que a Galp acordou em vender lítio refinado em Matosinhos à sueca Northvolt, para fabrico de baterias, mas a petrolífera disse não existir qualquer acordo sobre a matéria e sobre o futuro das instalações de Matosinhos.

O cenário foi colocado depois de, no dia 21, a Galp ter anunciado que vai concentrar as suas operações de refinação e desenvolvimentos futuros no complexo de Sines e descontinuar a refinação em Matosinhos a partir do próximo ano.

A decisão foi avançada em comunicado enviado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), em que se refere que a empresa “continuará a abastecer o mercado regional mantendo a operação das principais instalações de importação, armazenamento e expedição de produtos existentes em Matosinhos”. Acrescenta que está a “desenvolver soluções adequadas para a necessária redução da força laboral e a avaliar alternativas de utilização para o complexo”.

Os sindicatos apontam que estão em causa cerca de 500 postos de trabalho diretos e 1.000 indiretos.

A Câmara de Matosinhos, liderada pela socialista Luísa Salgueiro, escreveu uma carta ao gabinete de João Pedro Matos Fernandes, na qual exige saber que medidas excecionais serão ativadas pelo Governo para “prevenir o colapso” de empresas que dependem da refinaria da Galp localizada há 50 anos no concelho.

A autarquia assinalou, por outro lado, que rejeita a instalação de uma refinaria de lítio nas instalações da Galp em Matosinhos.

Já o ministro do Ambiente já considerou que a Galp “está obrigada a fazer mais do que a lei” no que diz respeito à situação dos trabalhadores da refinaria de Matosinhos, cujas operações serão descontinuadas a partir do próximo ano.

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