Sobre o grupo de 22 socialistas que anunciou o apoio à recandidatura de Marcelo Rebelo de Sousa às presidenciais - três ex-ministros, Correia de Campos, Vieira da Silva e Pedro Marques - Ana Gomes disse não estar surpreendida. 

Não tenho que lamentar, direi que não me surpreende. Pelo meu lado, sinto-me muito bem acompanhada por muitos e muitas socialistas, em particular jovens socialistas, que percebem que votar no candidato da direita não é digno do partido de Mário Soares". 

A candidata lembrou que o pluralismo implica "reconhecer as diferenças de projetos" e criticou a direita, com um dedo apontado a Marcelo, por privilegiar "os privados em detrimento do Serviço Nacional de Saúde", por ajudar a "normalizar a ultra direita" e por criar obstáculos quanto ao projeto de regionalização. 

Questionada sobre o que é que faltou para convencer estes 22 socialistas, Ana Gomes disse apenas: "tem de fazer essa pergunta às pessoas implicadas".

Eu sou socialista e não acho que o centrão dos interesses sirva o país nem sirva a democracia (...) Eu sei que incomodo o centrão dos interesses e é exatamente por incomodar o centrão dos interesses que eu quero ser eleita Presidente da República, porque acho que ele tem sido bastante nefasto para o país". 

A ex-eurodeputada do PS recusou responder se estes apoios ao atual Presidente da República e recandidato ao cargo significam uma “traição” aos valores do PS.

Não alinho nesse tipo de julgamentos, as ações ficam com quem as pratica”, disse.

A candidata presidencial assegurou que cumprirá todas as determinações das autoridades sanitárias quanto à campanha e respeitará qualquer mudança de orientação a este respeito por parte dos decisores políticos.

Eu não tenho os dados que os decisores políticos têm, designadamente o primeiro-ministro e o Presidente da República, e, portanto, eu cumprirei rigorosamente as determinações que forem feitas pelas autoridades que têm os números e as possibilidades de adaptação”, afirmou.

Ana Gomes pede participação de especialistas do Minho em reuniões do Infarmed

Em visita à Escola de Medicina da Universidade do Minho, Ana Gomes deixou largos elogios a esta instituição pela qualidade científica e pelo apoio que dão ao Serviço Nacional de Saúde.

Esta é uma escola que existe há 20 anos, uma escola de grande qualidade científica (…) das escolas que mais estudos publica internacionalmente”.

O objetivo da visita era dar “mais visibilidade” a uma instituição que considera ser “inovadora” e, caso fosse eleita Presidente da República, assumiria desde já alguns compromissos

Dos compromissos que posso desde já assumir, é que garantirei é que especialistas desta escola são devidamente envolvidos em processos de decisões, incluindo para fazer face a uma emergência nacional como esta do covid”.

Criticou o facto das decisões importantes sobre a pandemia só serem tomadas em Lisboa e só serem ouvidos os especialistas da capital. 

Eu gostaria que quando se fazem essas tais reuniões do Infarmed, de facto se incluíssem especialistas que têm todo um registo bem sucedido de lidar com a epidemia aqui na região". 

Cláudia Évora / Notícia atualizada às 15:34