José Sócrates. Luís Filipe Vieira. Paulo Pedroso. Marine Le Pen. Donald Trump. Poucas vezes, ou nenhuma, todas estas figuras terão sido mencionadas no mesmo debate. Isso aconteceu esta sexta-feira à noite, na TVI.

O debate entre Ana Gomes e André Ventura, que estão empatados em segundo lugar na última sondagem, foi uma troca de acusações constante entre ambos, tanto que até as habituais críticas ao mandato do Presidente da República ficaram hoje esquecidas.

Se Ana Gomes optou por ligar o candidato a forças "ocultas" e extremistas, o candidato do Chega respondeu com Sócrates, Paulo Pedroso... e o MRPP.

O MRPP e a vergastada da PIDE

Ana Gomes começou por reafirmar que Ventura é “um diabo”, no sentido em que quer “impor a ditadura”. E colou o adversário a Donald Trump e ao que aconteceu por estes dias, com a invasão ao Capitólio

Já o candidato do Chega acusou a adversária de representar “a esquerda toda” e rejeitou a associação ao que aconteceu nos Estados Unidos, dizendo que o seu ídolo "é Deus", e não Trump.

"O que aconteceu foi errado. Nenhum candidato democrático pode apoiar invasões às instituições". 

Mas Ana Gomes também lembrou que Ventura esteve hoje com Le Pen, "uma destacada fascista", e prometeu que se candidatou para "travar estas forças", como o Chega.

André Ventura mostrou, então, uma imagem para lembrar o passado de Ana Gomes no MRPP, o que exaltou a candidata.

"Tenho uma marca na cara que foi de uma vergastada de um PIDE". 

 

 

Ventura liga Ana Gomes a Sócrates e Pedroso. Ana Gomes responde com Vieira e Lalanda de Castro

O presidente do Chega aproveitou para defender a principal bandeira: uma renovação da Constituição. "Eu defendo a ditadura das pessoas de bem", disse Ventura, voltando a reforçar que quer ser Presidente daqueles portugueses que trabalham e não daqueles que vivem de rendimentos.

"Não vou ser o Presidente de José Sócrates, dos pedófilos e dos traficantes de droga". 

Questionada sobre a defesa da prisão perpétua por André Ventura, Ana Gomes diz que é pela "defesa da Constituição e da democracia".

"É uma questão de civilização e de não voltarmos à Idade Média", disse, questionando se a seguir "vão cortar as mãos aos ladrões?". "Este senhor que vem aqui dizer que é contra a corrupção, mas trabalhou para a Autoridade Tributária e depois foi ajudar os ricos a porem dinheiro nos offshores".

De ataque em ataque, Ventura tinha a cartada seguinte preparada: Paulo Pedroso. O candidato do Chega associou o diretor de campanha de Ana Gomes ao caso Casa Pia, levando o moderador a lembrar que o socialista não chegou a ser acusado judicialmente.

A candidata referiu os "truques para arrastar para a lama" que Ventura usa com os candidatos nos debates e repudiou a associação de Paulo Pedroso que Ventura fez: "Eu sou mãe, avó de sete netos e repudio totalmente qualquer tentativa de insinuação" de "práticas criminosas".

"Um sujeito que, como funcionário da Autoridade Tributária, ajudou o patrão de Sócrates, Paulo Lalanda de Casto, a não pagar um milhão de impostos...", lembrou.

Chegou a hora de mais uma imagem que Ventura tinha consigo: Ana Gomes com José Sócrates, "aos abraços".

As assinaturas falsas do Chega e a confiança de Ventura 

Questionada sobre a sua defesa da ilegalização do Chega, Ana Gomes prometeu não abdicar de fazer "o julgamento político" sobre as formações que "querem destruir a democracia", como o Chega.

A candidata acusou Ventura de ter "um projeto presidencialista" e "autoritário" e lembrou que "fascistas, nazis e estalinistas" também "sempre disseram que sempre defenderam a democracia". "Tem de se ser intolerante com os intolerantes", completou.

"Este partido [o Chega] foi legalizado com assinaturas falsas, incluindo pessoas já falecidas."

 

Ana Gomes, se for eleita, promete pedir à PGR para levar a reapreciação da legalidade do Chega ao Tribunal Constitucional, porque "o Chega viola a Constituição", com o "incitamento ao ódio", racismo e o confinamento de grupos étnicos.

"A etnia cigana e o que recebe - 3,8% do total do RSI - é uma fração do que o seu amigo Luís Filipe Vieira fez em calotes com os seus contactos na banca."

Sobre as eleições numa altura em que os números da pandemia pioraram, Ventura respondeu com a sua confiança: 

"Ana Gomes não quer adiar porque sabe que, como estou empatado com ela, daqui a uma semana estaria com o dobro [dos votos]". 

 Houve ainda tempo para Ana Gomes querer saber quem financia o Chega e sublinhar que há "jornalistas ameaçados" por investigarem isso.

"Ventura é um boneco dessas forças ocultas...", ligadas ao imobiliário, ao BANIF e ao BES.