A candidata às Eleições Presidenciais, Ana Gomes, apelou esta terça-feira a uma "convergência" de candidaturas à esquerda, o que implicaria uma desistência de Marisa Matias e João Ferreira até dia 24 de janeiro.

Durante o debate televisivo frente ao candidato comunista, João Ferreira, Ana Gomes assumiu estar "sempre disponível para convergências, sobretudo quando a democracia está sob ataque".

Desta forma, Ana Gomes abre a porta a um entendimento antes do dia 24 de janeiro, mas que este "não depende" de si: "Do meu lado, isso é possível".

A convergência é sempre importante e temos visto como fez a diferença nestes últimos anos em benefício do povo português", disse a candidata, acrescentado que teve "pena que não houvesse uma gerigonça II formal".

Ana Gomes revelou que trocou impressões com Marisa Matias ainda quando estava a equacionar a sua candidatura, mas não com João Ferreira.

Estivemos dez anos no Parlamento Europeu. Houve muitas oportunidades de divergência, mas também houve muitas oportunidades de convergência e o João não é claramente o meu adversário nesta contenda", concluiu.

"Convergência não deve ser discutida em abstrato"

Questionado se aceitaria este repto de Ana Gomes, o candidato comunista não descartou diretamente uma convergência, mas apontou várias questões que considera que só a sua candidatura contém. Foi uma espécie de "nim".

Quando apresentei a minha candidatura fiz questão de a apresentar como um espaço de convergência amplo.", começou por afirmar o candidato, admitindo que tem constatado "com muita satisfação que há uma corrente de apoio a esta candidatura que vai muito para lá das fronteiras que alguns poderiam julgar confinada".

No entanto, frisou que uma possível "convergência não deve ser discutida em abstrato".

Marisa nega conversa com Ana Gomes para candidatura única

A candidata apoiada pelo Bloco de Esquerda negou, momentos depois, durante o debate com Vitorino Silva, que tenha havido uma conversa com Ana Gomes a propósito de uma candidatura única.

Quando questionada sobre uma convergência à esquerda para as Presidenciais, Marisa Matias prontamente esclareceu que a alegada ideia de um entendimento inicial com Ana Gomes foi um "equívoco que foi gerado" e que "não foi tema de conversa", ao contrário do sugerido pela ex-eurodeputada.

Marisa Matias também afastou, para já, a hipótese de uma convergência à esquerda.

"Não há excesso de candidaturas à esquerda. Temos é um défice", referiu Marisa.

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Rafaela Laja / atualizada às 23:31