Se se sente seguro para ir tomar café e para ir às compras, saiba que também se pode sentir seguro para ir votar nas presidenciais do próximo dia 24 de janeiro. É esta a mensagem que a Comissão Nacional de Eleições (CNE) quer transmitir na mais recente campanha "Votar é seguro!"

Com a hasthtag #mexeteevaivotar, a CNE tem sido bastante ativa nas redes sociais no combate à abstenção, principalmente entre os eleitores mais jovens e, porventura, daqueles que vão votar pela primeira vez. A mensagem é clara: 


Num vídeo de apenas 40 segundos, deixaram uma lista com os principais cuidados a ter quando for votar:

  1. Use máscara;
  2. Aguarde a sua vez no exterior;
  3. Respeite a distância de segurança de dois metros;
  4. Antes de entrar na sala onde vai votar, desinfete as mãos;
  5. Siga o percurso assinalado no chão para evitar cruzar-se com outros eleitores. Se não existir sinalização, circule sempre pela direita;
  6. À saída da sala, desinfete novamente as mãos. 
     

A campanha de sensibilização compara ainda, em vídeo, atos quotidianos como ir ao café ou às compras com a ida às urnas, sublinhando que “ir ao café é seguro, votar também”, uma vez que serão cumpridas todas as regras sanitárias.

Para além destas recomendações, a CNE criou ainda um manual com 10 normas para uma Assembleia de Voto segura. Os membros das mesas de voto serão responsáveis pela fiscalização do cumprimento das regras por parte dos eleitores, devendo, por exemplo, verificar com regularidade se há aglomerações à entrada da sala e chamar as autoridades “sempre que necessário”.

Em declarações à Lusa, João Tiago Machado, porta-voz da CNE, apontou que é comum ouvir, depois de um ato eleitoral com percentagens elevadas de abstenção, que os portugueses não votaram “porque estava um excelente dia de praia” ou “porque estava muito mau tempo”.

Há sempre estas desculpas, e a pandemia podia ser mais uma desculpa. E com esta campanha nós quisemos mesmo mostrar que só se vai proceder a eleições porque está tudo salvaguardado que é seguro”, assegurou.

O responsável explicou à Lusa que a campanha foi feita sem elementos gráficos que a associassem a uma eleição específica, tendo sido pensada para os dois atos eleitorais marcados para este ano (presidenciais e autárquicas), tendo em conta que “tudo indica” que poderá ser necessária de novo em outubro, apontou.

Segundo a CNE está prevista a transmissão desta campanha nos canais tradicionais de televisão e serão ainda disponibilizados à população folhetos com todas as regras para o dia da eleição.

No âmbito das eleições presidenciais, a CNE apoia ainda o site “euvoto.pt”, um projeto criado por um conjunto de cidadãos preocupados com a abstenção jovem, que divulga informações sobre como votar e quais os candidatos presidenciais na corrida a Belém.

Para a operação das eleições presidenciais de janeiro, o Ministério da Administração Interna prevê gastos de cerca de 480 mil euros em equipamento sanitário, como máscaras, viseiras, batas, luvas, álcool e outros.

No passado dia 18 de dezembro, o Governo autorizou a Secretaria-Geral da Administração Interna a “assumir os encargos orçamentais relativos à aquisição de material de apoio e de proteção individual Covid-19 para a eleição do Presidente da República até ao montante máximo de 479.371,05 euros, acrescido de IVA nos termos legais”, segundo portaria conjunta do Ministério das Finanças e do MAI a que a Lusa teve acesso.

As eleições presidenciais, que se realizam em plena epidemia de covid-19 em Portugal, estão marcadas para 24 de janeiro e esta é a 10.ª vez que os portugueses são chamados a escolher o Presidente da República em democracia, desde 1976.

A campanha eleitoral decorre entre o próximo domingo, 10 de janeiro, e 22 de janeiro, com o país a viver sob medidas restritivas devido à epidemia. Concorrem às eleições sete candidatos, Marisa Matias (apoiada pelo Bloco de Esquerda), Marcelo Rebelo de Sousa (PSD e CDS/PP) Tiago Mayan Gonçalves (Iniciativa Liberal), André Ventura (Chega), Vitorino Silva, mais conhecido por Tino de Rans, João Ferreira (PCP e PEV) e a militante do PS Ana Gomes (PAN e Livre).

Desde 1976, foram Presidentes António Ramalho Eanes (1976-1986), Mário Soares (1986-1996), Jorge Sampaio (1996-2006) e Cavaco Silva (2006-2016). O atual chefe de Estado, eleito em 2016, é Marcelo Rebelo de Sousa, que se recandidata ao cargo.

Cláudia Évora / com Lusa